Estudo do FMI sugere que BCE deve aceitar perdas

Segundo Fundo, tentativas do BCE de reduzir custos de financiamento para Espanha e Itália podem se provar infrutíferas

Álvaro Campos, da Agência Estado,

24 de julho de 2012 | 19h40

WASHINGTON - Um estudo divulgado nesta terça-feira, 24, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma que qualquer tentativa futura do Banco Central Europeu (BCE) de reduzir os custos de financiamento para Espanha e Itália pode se provar infrutífera, porque a autoridade monetária se recusa a aceitar perdas com sua carteira de bônus soberanos da Grécia.

No estudo, o FMI implicitamente fornece um argumento financeiro para que o BCE aceite uma reestruturação da dívida grega em sua carteira. Ao aceitar essas perdas, o banco central ajudaria a colocar o programa de redução da dívida grega de volta nos trilhos. E o FMI sugere também que essa decisão tornaria qualquer novo programa do BCE para reduzir os custos de financiamento para Espanha e Itália muito mais efetivo.

O estudo não diz explicitamente que o BCE deveria aceitar uma reestruturação da dívida grega. Em vez disso, o relatório aponta que, como o banco central não participou da reestruturação da dívida na mão de credores privados, concluída há alguns meses, o poder de possíveis compras de bônus futuras diminuiu.

Isso acontece em função do status de credor sênior do BCE no caso da dívida grega, que deixa os investidores privados temerosos que isso possa acontecer de novo se houver uma reestruturação das dívidas da Espanha e da Itália. Ou seja, quanto mais dívida soberana de um país o banco central têm, maior a perda potencial para o setor privado.

"O FMI acredita que o BCE e os governos da zona do euro deveriam aceitar um haircut (desconto) nos bônus gregos que possuem, ou de qualquer outro membro que tenha de reestruturar sua dívida", afirma Domenico Lombardi, economista sênior da Brookings Institution e ex-representante da Itália na diretoria do FMI. As informações são da Dow Jones.

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