Estudo do Ipea compara efeitos da Alca e Mercosul

A criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) ou o estabelecimento de uma zona de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia terão, em termos de ampliação das exportações brasileiras, praticamente o mesmo impacto: cerca de US$ 700 milhões. A avaliação é feita com base em dois estudos elaborados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do Ministério do Planejamento, obtido pelo Estado.A formação da Alca e a eliminação completa dos impostos de importação e das tarifas específicas, que incidem sobre diversos produtos da pauta brasileira, representariam um aumento de US$ 699 milhões em vendas para o principal mercado consumidor do bloco, os Estados Unidos. Esse valor não inclui os demais países do continente. No caso da criação de uma zona de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia, as exportações para aquele mercado seriam ampliadas em US$ 691 milhões.Condições e restriçõesDe acordo com os professores Jorge Saba Arbache, Maria Luiza Falcão Silva, e o pesquisador João Alberto De Negri, autores dos estudos, o aumento em US$ 691 milhões das exportações brasileiras para o mercado europeu só aconteceria caso as negociações entre Mercosul e União Européia caminhasse em direção a uma verdadeira zona de livre comércio.A aceitação da última oferta feita pela UE - que deixa de fora da eliminação tarifária cerca de 31,6% dos produtos brasileiros vendidos naquele mercado - representaria para o Brasil um aumento de apenas US$ 368 milhões em exportações, no fim do prazo de redução tarifária proposto. O valor estimado de aumento de exportações para os Estados Unidos com a criação da Alca também tem algumas ressalvas. Isso porque o valor projetado estima a eliminação de todos os impostos e tarifas específicas que incidem sobre os produtos brasileiros naquele mercado. No atual cenário das negociações, é difícil vislumbrar uma eliminação total das barreiras impostas pelos Estados Unidos.

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