Estudo encomendado pelo PSDB mantém crítica aos juros altos

Está pronta uma nova versão do estudo encomendado pelo PSDB aos economistas Luiz Carlos Bresser Pereira e Yoshiaki Nakano, intitulado "Uma Estratégia de Desenvolvimento com Estabilidade", onde são traçadas operações para uma nova gestão de política econômica no Brasil. Depois de causar polêmica em Brasília por ser entendido como uma crítica direta à política do ministro da Fazenda, Pedro Malan, o novo texto mantém a defesa de que a elevada taxa de juros atual não corresponde àquela determinada pelo mercado e sugere um câmbio mais depreciado, além de outros pontos.Mas traz novidades em relação ao texto original, frutos das críticas, elogios e sugestões que os dois autores receberam nas últimas semanas, como, por exemplo, as dos economistas Edmar Bacha e Pérsio Arida. A principal mudança, explica Bresser Pereira, está no novo capítulo, chamado "A função de reação do Banco Central", onde são detalhados o modelo de inflação do BC e a relação deste com os juros."Se considerarmos o modelo de meta de inflação usado pelo Banco Central, verificamos que outras variáveis, como taxa de câmbio, flutuação de reservas e resultados da balança comercial, também são levadas em consideração na fixação da taxa de juros, como mostram os estudos empíricos. De forma que voltamos ao nosso ponto inicial: exige-se da taxa de juros papéis múltiplos, que acabam por elevar, artificialmente, acima daquela apontada pelo mercado", detalha o trabalho.Bresser Pereira acredita que um modelo para uma inflação um pouco mais flexível seria, na prática, um aperfeiçoamento sobre os moldes atuais. "Esse modelo não precisa ser tão rígido. Ele acaba levando de volta ao dogmatismo da antiga fórmula monetária, e induz o BC, por exemplo, a gastar bilhões de dólares para conter a escalada do dólar, mesmo com todo o efeito negativo que isso tem sobre a economia, como o aumento da dívida e o enfraquecimento da capacidade de exportar", afirma. "O que se tem em troca? Conseguir segurar a inflação em um ponto percentual? Nós achamos que não vale a pena".Bresser Pereira propõe que, no novo regime, o BC restrinja os objetivos às funções clássicas (basicamente, o controle da demanda com vistas à inflação) e que a atual política de metas seja aperfeiçoada com a adoção do núcleo. A nova versão do documento, que pode ser encontrada na página pessoal dele na internet (www.bresserpereira.org.br) retirou do texto os 3 reais por dólar como exemplo de um câmbio de equilíbrio a ser defendido. "Era uma mera indicação. Imagino que, se os juros reais estiverem em 5%, o câmbio estará em torno desse patamar", disse.

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