Estudo indica que executivos brasileiros estão menos otimistas

Entre os 1.059 diretores financeiros ouvidos, os brasileiros são os mais desanimados com o cenário econômico

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2014 | 02h03

O otimismo dos executivos brasileiros continua inferior ao do resto do mundo. O estudo Panorama Global dos Negócios, conduzido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Duke University e CFO Magazine, mostra que, numa escala de 0 a 100, o otimismo do diretores financeiros (CFOs) do País com a economia ficou em 50,3 pontos neste trimestre.

Nas demais regiões pesquisadas, os executivos se mostraram mais animados com os cenários econômicos locais. A pontuação foi de 63,7 pontos nos Estados Unidos, 53,5 na Europa, 65,2 na Ásia, e 54,1 na América Latina - incluindo o Brasil. A pesquisa trimestral ouviu 1.059 CFOs de várias regiões, sendo 43 no Brasil. Ela foi concluída em 5 de dezembro.

Embora na lanterna mundial, o otimismo dos executivos brasileiros aumentou na comparação com o terceiro trimestre, quando estava em 46,9 pontos. "O crescimento foi pequeno e nada significante", afirma Antonio Gledson de Carvalho, professor de finanças da FGV e coautor da pesquisa. "Os executivos estavam muito pessimistas e, eventualmente, a economia não vai piorar tanto como eles imaginavam que pioraria", afirma. O trabalho também contou com a participação do professor da FGV Klenio Barbosa.

A pesquisa detectou dois dados preocupantes para o futuro da economia brasileira: estagnação no emprego e queda no investimento.

No caso do emprego, pela primeira vez desde que o levantamento começou a ser realizado, em junho de 2012, a expectativa de geração de emprego permanente ficou estável - alta de apenas 0,4%. Na pesquisa anterior, foi registrado um crescimento de 4,8%.

Com a piora do cenário macroeconômico do País e o baixo crescimento registrado ao longo dos últimos anos, o estudo já vinha apontando uma tendência de desaquecimento do emprego temporário, o primeiro sinal, segundo o Carvalho, de que a redução da atividade econômica estava chegando ao mercado de trabalho. "A queda do emprego temporário sinalizava um movimento de desaceleração. Primeiro, as empresas ajustavam os trabalhadores temporários e, nesse segundo momento, tendem a ajustar os trabalhadores permanentes. Acredito que estamos começando a captar um sinal de que isso está ocorrendo", diz Carvalho.

Os investimentos - considerados fundamentais para a acelerar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) - também devem desacelerar nos próximos 12 meses, segundo o estudo. A projeção ficou negativa em 4,4%. Nas pesquisas anteriores, essa taxa costumava variar com um crescimento esperado entre 1% e 7%.

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