Estudo mostra potencial dos jovens da classe C

No final do primeiro semestre deste ano, a agência de publicidade Talent, de São Paulo, recebeu alguns de seus principais clientes, entre os quais figuram nomes como Santander, Alpargatas, Santher, Votorantim Cimentos, Net, Ipiranga, Femsa e Tilibra, entre outros, para a discussão do estudo batizado de "Universitário, qual é a sua classe? É a C". Dedicado à análise da inserção cada vez maior de estudantes oriundos da nova classe média emergente, o trabalho provocou discussões durante toda uma manhã entre os cerca de 50 participantes. "Há alguns anos, o assunto atrairia a atenção de uns poucos gatos pingados", afirma Paulo Stephan, diretor de mídia da Talent. "Com a irreversível ascensão da classe C no Brasil, o interesse cresceu."

Clayton Netz, clayton.netz@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

De acordo com o estudo, que acaba de ser publicado pela Talent, nos últimos oito anos a participação dos estudantes saídos da classe C passou de 16% para 23% dos alunos matriculados na cerca de 3 mil instituições de ensino superior existentes no País. Em números absolutos, isso representa um acréscimo de 2,1 milhões de universitários e consumidores ao mercado. "Esse aumento da inclusão universitária tem como pano de fundo o ingresso, a partir de 2006, de 20 milhões de brasileiros na classe C", diz Stephan. "Some-se a isso o fato de que, desde 2008, a renda dos 91 milhões de pessoas nela incluídos é maior que a dos integrantes das classes A e B. "

O aumento do contingente de universitários emergentes foi viabilizado, de acordo com o estudo da Talent, pelos programas de financiamento estudantil, como o Prouni e o Fies, bem como o barateamento das mensalidades escolares - em função da maior competição, 90% do setor estão em mãos da iniciativa privada. De uma média de R$ 860, em 1996, o valor das mensalidades caiu para R$ 467 em 2009.

Contribuem também para esse movimento a necessidade de ascender no emprego e atender às demandas por maior qualificação, apresentadas pelos empregadores e pelo mercado de trabalho. "Estudos mostram que um diploma superior provoca um aumento de 171% na renda média de um indivíduo no Brasil", afirma Stephan.

Mas o que impulsiona os jovens emergentes a continuar estudando? "A classe C sonhava em ter iogurte no café da manhã", diz Stephan. "Hoje, as aspirações são muito maiores. Projetam futuro, além da educação." A grande preocupação dos jovens universitários dessa faixa social é ter uma vida melhor do que a de seus pais. Como objetos de desejo, a posse de computadores e o acesso à internet aparecem na pole position. "Um terço dos lares de classe C dispõe de computadores", diz Stephan. "A internet já tem penetração de 45% entre essas famílias."

Segundo levantamento do instituto de pesquisas Ipsos Marplan, esse segmento está plugado em toda a gama de bens de consumo moderno: 51% deles têm máquina fotográfica digital, 41% possuem tocadores MP3, fatia que chega a 33% no caso do iPod e a 94% para os celulares. Em relação às finanças pessoais, esse grupo também apresenta números promissores: cerca de 70% têm conta em banco e 55% possuem cartão de crédito, com um gasto médio per capita de R$ 200. "O potencial de consumo dos jovens universitários da classe C não pode ser desprezado pelas empresas", alerta Stephen. "Eles serão maioria e terão grande poder nas mãos. Portanto, é importante conhecê-los cada vez mais profundamente."

AUDITORIA

ICTS compra operação brasileira da Protiviti

A ICTS, consultoria paulista especializada em gerenciamento de riscos e auditoria interna, comprou a operação brasileira da Protiviti, grupo americano fundado por ex-funcionários da Arthur Andersen. Com a aquisição, a ICTS incorpora dois novos serviços ao seu portfólio. "Passaremos a contar com o expertise da Protiviti nas áreas de auditoria interna e riscos financeiros", diz Fernando Fleider, sócio da ICTS. Do lado da Protiviti, a transação atende à proposta global da empresa, com faturamento mundial de US$ 400 milhões, de expandir os negócios no Brasil. O faturamento das duas empresas soma R$ 30 milhões, valor que deve dobrar, segundo Fleider, nos próximos três anos. A ICTS Protiviti tem uma carteira de mais de 200 clientes no País, entre eles Pão de Açúcar, Oi, Light e Ambev, a ICTS Protiviti.

ACESSÓRIOS

Chenson investe R$ 30 mi em CD e outlet em SP

O grupo americano Chenson, líder no segmento de bolsas no Brasil, com 3 milhões de peças vendidas por ano, vai investir R$ 30 milhões nos próximos dois anos para construir um novo centro de distribuição (CD) e um outlet em São Paulo, num terreno de 24 mil metros quadrados, na rodovia Castelo Branco. Atualmente, a subsidiária brasileira, que faturou R$ 80 milhões em 2009 com as vendas de seus produtos em sete mil lojas multimarcas, conta com dois CDs, em Vitória (ES) e na Vila Leopoldina, na capital paulista. Depois de concluído o CD, a empresa pretende inaugurar no mesmo espaço um outlet para comercializar bolsas, mochilas e malas de suas duas marcas, Chenson e Republic Vix, fabricadas na China, além de sapatos e acessórios voltados para a classe média.

AÇÕES

Santander investe R$ 10 mi em programa

O Banco Santander aplicou mais de R$ 10 milhões no aperfeiçoamento de sua plataforma de corretagem de ações. Os 24 mil clientes da corretora do banco poderão baixar o programa em seus celulares e contarão com chats de atendimento online e alerta de cotações por SMS, entre outras facilidades. A Corretora Santander também está expandindo as salas de atendimento instaladas em agências bancárias, que estão à disposição dos correntistas do Santander e do Real. Oito novas salas serão inauguradas em agências do Santander, três delas localizadas em capitais nordestinas como Recife, Salvador e Fortaleza.

HOTELARIA

Blue Tree finca sua bandeira em BH

A rede Blue Tree Hotels, da empresária Chieko Aoki, vai inaugurar seu primeiro hotel em Belo Horizonte, localizado no bairro da Savassi, na região central da capital mineira. Com o empreendimento, o grupo Aoki, passa a operar em 8 das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. O quatro estrelas, que era administrado pela bandeira Mercure, da Accor, começa a funcionar amanhã e vai lançar um novo tipo de serviço chamado Mr. and Mrs. Blue, constituído por funcionários que ficarão em contato próximo com os hóspedes. "Eles poderão, até, ajudá-los em seus negócios na cidade", diz Chieko. Segundo ela, o serviço deverá ser estendido para as 26 unidades da rede no Brasil.

US$ 200 bi

é a estimativa oficial para as exportações da Índia no ano fiscal que termina em março de 2011. No último exercício, o valor chegou a US$ 178,6 bilhões

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