Estudo traça plano de investimento para o Nordeste

O Nordeste necessitará de US$ 42 bilhões em recursos a cada ano, entre 2003 e 2010, para assegurar um crescimento anual de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) anual da região. A projeção foi feita pelo economista Roberto Cavalcanti de Albuquerque, em estudo realizado para o Banco do Nordeste. Para ele, o desenvolvimento da região deverá ter como base o aumento das exportações e a atração de investimentos privados. Segundo o economista, que é diretor do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), esses recursos possibilitarão também um crescimento de 5,5% do PIB nordestino entre 2010 e 2020. A economia brasileira deverá crescer nos mesmos períodos, segundo a projeção do estudo, respectivamente 4% e 5%.Para Cavalcanti de Albuquerque, dos US$ 42 bilhões - calculados com base em dados de 1998, ou seja, com câmbio em torno de R$ 1,30 - US$ 27,7 bilhões deverão estar direcionados para o que chama de capital material (infra-estrutura, máquinas e equipamentos) e outros US$ 14,3 bilhões para capital humano (educação e qualificação).Segundo ele, no caso do capital humano, 60% dos recursos necessários terão que sair dos cofres públicos. A mesma conta não foi feita no caso do capital material. O economista disse também que esses recursos vão ajudar a diminuir a desigualdade do Nordeste em relação ao resto do País e também a reduzir a taxa de desemprego na região (segundo ele em torno de 15%, de acordo com o Censo do ano passado).IntegraçãoO estudo foi apresentado no seminário "50 anos de desenvolvimento: o papel do BNDES e do Banco do Nordeste", que foi realizado hoje no Rio. Cavalcanti de Albuquerque destacou que a Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene) será crucial para "coordenar o desenvolvimento" na região, funcionando como fonte de integração entre as iniciativas federais e regionais, com o objetivo de permitir o aumento das vendas externas e a atração dos investimentos.Ele sugere que o Banco do Nordeste atue com mais ênfase nessas duas frentes. A atração de investimentos privados, segundo o economista, será possível inicialmente devido à combinação entre mão-de-obra qualificada e barata na região. Ele admite que seria necessária uma redução nos custos de financiamento, mas admite que isso depende de uma redução na taxa de juros, que acredita (e aconselha) que será gradual.Para Albuquerque, uma forma de compensar o alto custo dos financiamentos é a utilização de fundos de investimentos não reembolsáveis, como o Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor). Mas admite que esses recursos serão reduzidos e, portanto, devem ser encarados apenas como uma das iniciativas.O economista disse que o estudo consiste em "um conjunto de sugestões" que poderão ser utilizadas pela Adene, ainda em fase de instalação. Ele ressaltou que os incentivos fiscais foram muito importantes para o Nordeste no passado, mas disse que no futuro não serão mais. "A União não terá recursos e será preciso criar investimentos mais palpáveis", afirmou.

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