Estudos apontam alta de preços para o petróleo em 2008

Centro para Estudos de Energia Global afirma que crescimento da produção não levará à queda de preços

João Caminoto, da Agência Estado,

17 de dezembro de 2007 | 17h17

O Centro para Estudos de Energia Global (CGES, na sigla em inglês) avalia que os preços do petróleo vão continuar elevados no próximo ano. "Embora a produção petrolífera finalmente pareça estar crescendo, os preços devem permanecer altos em 2008, apesar dos temores com a situação real da economia dos Estados Unidos", disse a entidade com sede em Londres, em seu relatório mensal.   Segundo o documento, a ação coordenada dos bancos centrais, que visa aliviar a atual crise global de crédito e evitar uma recessão, foi bem recebida pelos políticos, mas até o momento não impressionou as bolsas de valores. "Caso a demanda mundial de petróleo caia dramaticamente e os preços da commodity também, a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) terá que evitar a tentação de cortar muito a produção em defesa dos preços, pois apenas agravaria a situação e tornaria o pouso da economia ainda mais duro para todo mundo", diz.   O CGES observou que ao longo de 2007, a Opep manteve intencionalmente limitado o abastecimento mundial de petróleo, com o objetivo de evitar uma queda dos preços. Por causa dessa estratégia, os estoques mundiais de petróleo devem cair em 425 mil barris por dia neste ano. "E é difícil ver com isso, combinado com os preços em alta, pode ser descrito como um mercado bem abastecido, como a Opep repetidamente tem alegado", afirmou.   A entidade disse que o governo norte-americano decidiu permitir a desvalorização do dólar com o objetivo de evitar uma recessão. "Mas isso está causando uma inflação mais alta nos Estados Unidos e reduzindo o poder de compra do faturamento com petróleo da Opep, estimulando-a a buscar preços ainda mais altos", disse.   O CGES demonstrou surpresa com o relatório mensal da Agência Internacional de Energia, divulgado na semana passada, que prevê um aumento de 2,1 milhões de barris diários para o consumo global em 2008. "Isso é mais que o dobro do crescimento previsto em 2007 e vem num momento em que há uma preocupação generalizada com o estado da economia mundial", disse. "A previsão da AIE sugere que será necessário muito mais petróleo da Opep no próximo ano apenas para manter os preços em seus atuais níveis."

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