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Estudos sobre Previdência serão concluídos em até duas semanas, diz Temer

Após esse período, o presidente afirmou que o governo enviará uma proposta sobre a reforma ao Congresso Nacional

Elizabeth Lopes e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2016 | 10h34

SÃO PAULO - O presidente Michel Temer anunciou que o governo vai ter estudos concluídos sobre a reforma da Previdência em uma ou duas semanas e que após esse período enviará uma proposta sobre o tema ao Congresso Nacional. Em entrevista à rádio Jovem Pan, ele voltou a afirmar que a medida é prioridade para o governo após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que coloca um teto no crescimento dos gastos públicos.

O presidente rebateu o artigo escrito pelo presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, a quem chamou de "sindicalista consciente". No artigo, Patah afirmou que a ideia de que há um déficit previdenciário no País é falsa. "Temos também que asfaltar o terreno. Estou chamando as centrais sindicais para uma conversa daqui a uma semana, depois com outros membros da cidade e depois com líderes da Câmara e do Senado para não fazer uma coisa de cima para baixo, mas acertada e conhecida, pelo menos", afirmou Temer.

Ao rebater a tese de Patah, o peemedebista argumentou que o déficit da previdência é "assustador", em mais de R$ 100 bilhões este ano e que a projeção é de quase R$ 160 bilhões em 2017. "Jovens, que estão trabalhando, se vocês não ajudarem, não patrocinarem, quando bater à porta para se aposentarem, vocês não vão ter o que receber", disse o presidente. Ele afirmou que o ajuste na previdência não acontece "de um dia para o outro" e que a proposta vai produzir resultados "mais adiante".

Assim como está fazendo com a PEC dos gastos, Temer disse que seu governo vai promover uma campanha junto à população para sensibilizar a opinião pública sobre a necessidade da reforma previdenciária. 

Desemprego. Temer rebateu as críticas de que seu governo foi o responsável pela elevação do nível de desemprego e que foram usadas, segundo ele, nas campanhas municipais realizadas em todo o País. O peemedebista disse que usaram de uma "inverdade absoluta" para acusá-lo de ser o responsável pelos 12 milhões de desempregados atualmente no Brasil e ainda pelo seu governo supostamente propor uma jornada diária de trabalho de 12 horas. 

"O que aconteceu na campanha eleitoral, convenhamos, foi feito com muita falsidade. Isso (a suposta proposta de 12 horas diárias de jornada) é uma inverdade que eu tive a oportunidade de dizer que não era exato, mas ainda assim foi usada politicamente", afirmou o presidente. Michel Temer afirmou que sua política está voltada ao combate do desemprego e ao "olhar para o futuro", citando especialmente a proposta de colocar um teto no crescimento de gastos públicos. E citou medida da ex-presidente Dilma Rousseff de permitir acordo entre empregados e empregadores para cortar 30% dos salários, nos momentos de crise, o que para ele foi positivo. 

Alckmin. O presidente discordou de declaração feita pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que afirmou que o governo federal queimaria todo o "cacife" político para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto de gastos e não teria forças para avançar nas demais propostas, como a previdenciária e a trabalhista. 

"Levo sempre em conta as ponderações do governador Geraldo Alckmin, mas sou obrigado a dizer que você precisa fixar um teto para os gastos e na sequência vai fazendo o que o teto de gastos exige, preservando aquilo que precisa para fazer a reformulação previdenciária", disse. "O método que escolhemos é pensado e adequado", completou. 

Segundo Temer, o desempenho dos partidos da base aliada nas eleições municipais deste primeiro turno - realizada no último domingo, 02, mostra a legitimidade de seu governo junto à população. "Essa votação que saiu no domingo revelou que a base aliada, hoje temos quase 18 partidos apoiando o governo, venceu fantasticamente as eleições, o que significa por via indireta uma aprovação de que tudo que foi feito até agora foi eminentemente constitucional e legal", argumentou.

 

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