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''''Etanol de milho não é viável''''

Para Lula, os fatos vão convencer os EUA de que o álcool de cana pode ser produzido pela metade do preço

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que serão inevitáveis aos Estados Unidos o abandono da produção do etanol a partir do milho e a importação do produto derivado da cana-de-açúcar. "Obviamente, vai haver um momento em que os próprios Estados Unidos vão chegar à conclusão de que não é possível continuar produzindo etanol de milho", afirmou Lula, referindo-se ao impacto nos preços do grão."Não queremos ficar brigando com ninguém nem convencer o (George W.) Bush disso. Queremos que os fatos convençam o Bush e outros países que a gente pode produzir etanol de cana pela metade do preço do que ele produz de milho. Então, ele nos venda o milho para engordar nossas galinhas e nós vendemos o álcool para engordar os carros dele. Essa é a boa troca que queremos fazer", completou o presidente.A lógica da substituição da produção do etanol de milho pela importação de álcool de cana foi um dos pontos omitidos do memorando firmado em março pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, durante a visita de Bush a São Paulo. Os EUA não aceitaram nem abrir seu mercado ao produto.Qualificado como a base de uma nova parceria estratégica Brasil-EUA, o acordo girou em torno de uma estratégica comum de transformação do etanol em commodity energética, na cooperação em terceiros países e no desenvolvimento de pesquisas sobre o álcool de celulose. O governo Lula, entretanto, não se limitou à parceria com os EUA e pôs em prática, com a viagem à América Central e ao Caribe que terminou ontem, uma tática de promover os biocombustíveis na vizinhança latino-americana.COMPANHEIROSNa quarta-feira, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega alertara Lula para o fato de que a produção de álcool a partir do milho "é absurda" e atenta contra a segurança alimentar. E aceitou a cooperação brasileira para o desenvolvimento da produção canavieira e de álcool, depois de meses de relutância. Discursos combativos aos biocombustíveis ainda são repetidos pelo venezuelano Hugo Chávez e pelos presidentes de Cuba, Fidel Castro, e da Bolívia, Evo Morales. Questionado sobre essa contrapropaganda, Lula preferiu salvaguardar Chávez, ao afirmar que a Venezuela expandiu seu compromisso de compra de álcool do Brasil, e deixou claro que os dois países se valem, na política externa, do combustível que detém. "Não tenho como oferecer petróleo a ninguém porque não temos petróleo de sobra. Tenho que oferecer álcool", disse. "A Venezuela tem petróleo demais. Então, o Chávez pode ter uma política de maior flexibilidade nos seus acordos de petróleo do que o Brasil."

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