Etanol deve ficar cada vez mais caro

Só nas últimas quatro semanas, preço médio subiu 10% em SP e 6,1% no Brasil

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2010 | 00h00

Os tempos do etanol barato devem ficar cada vez mais distantes do consumidor. Ao contrário dos últimos anos, em que o preço poderia variar até 100% entre a safra e a entressafra, a expectativa para os próximos 12 meses é de preços em níveis elevados, independentemente do período.

Só nas últimas quatro semanas, o preço médio do etanol subiu 10% no Estado de São Paulo e 6,1%, no País, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Até o fim do ano, o custo do combustível na bomba deve subir ainda mais e permanecer alto por todo o primeiro trimestre.

Com o início da safra, entre março ou abril, pode haver um pequeno arrefecimento, mas nada comparado às fortes quedas verificadas em períodos anteriores. Em janeiro deste ano, o preço médio no Brasil era de R$ 1,915 o litro. Em junho, estava em R$ 1,537. "Não devemos ter variações desse tipo no ano que vem. A tendência é o preço fica mais linear", afirmou o diretor técnico da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues.

Oferta. A explicação para a tendência de alta dos preços está na oferta de cana em 2011. Na melhor das hipóteses, diz Pádua, a próxima safra será igual à deste ano. Depois da corrida verificada em meados da década, a crise iniciada em 2008 reduziu o apetite dos investidores. No ano passado, 19 usinas foram inauguradas. Neste ano, serão 10 e, em 2011, apenas 4.

Outro fator, é o envelhecimento dos canaviais, que reduz a produtividade do setor. Para recuperá-los, os agricultores terão de reduzir a área plantada no próximo ano para ter algum resultado em 2012, destaca o executivo. Além disso, com o clima mais úmido, pode haver uma proliferação da praga chamada Ferrugem Alaranjada.

Juntos, esses fatores serão responsáveis pela manutenção da safra nos níveis atuais. Enquanto isso, a frota de veículos flexíveis e a demanda externa por açúcar continuarão em alta. Segundo o presidente da Datagro Consultoria, Plínio Nastari, a expectativa é que a produção de etanol represente 56,9% do total e a de açúcar, 43,7%. Neste ano, 57,4% da cana moída foi destinada à fabricação do combustível.

Pádua garante que, apesar da oferta mais apertada, não haverá desabastecimento. Mais uma vez, diz o executivo, o consumidor terá nas mãos a condição de regular o mercado. "Ele poderá escolher o produto com melhor custo para abastecer seu carro." Hoje, excluindo os fatores ambientais, só é vantajoso usar o etanol até quando o preço representar 70% do da gasolina.

As previsões de abastecimento da Unica, porém, contam com a expectativa de que alguns Estados - onde a carga tributária é alta e a logística complicada - vão deixar de usar o etanol por causa do custo. Para Pádua, a expectativa é que o etanol continue vantajoso em São Paulo, Goiás, Minas e Mato Grosso.

Pesquisa

R$ 1,572

é o preço médio do litro de etanol cobrado em São Paulo entre os dias 10 e 16 de outubro, segundo dados da ANP

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