Antonio Lacerda|EFE
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Etanol deve ficar menos competitivo

No curto prazo, preço menor da gasolina deve tirar mercado do álcool; para setor, no entanto, política da Petrobrás é positiva no longo prazo

José Roberto Gomes, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2016 | 05h00

A nova política de preços de combustíveis da Petrobrás deve ter impacto direto no mercado de etanol. A redução de 3,2% no preço da gasolina e de 2,7% no do diesel deve tornar o álcool menos competitivo, pelo menos no curto prazo. Com oferta já apertada, a avaliação do setor é que as cotações do etanol devem se manter firmes pelo menos até o fim da entressafra de cana-de-açúcar, em março de 2017.

“Neste momento, não deverá haver redução no preço, e o etanol ficará menos competitivo”, disse o presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari. Dados divulgados ontem pela União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) mostram que a fabricação de álcool hidratado, usado diretamente no tanques dos veículos, está 7,6% menor entre abril e setembro na comparação com igual período do ano passado, totalizando 11,6 bilhões de litros. Os números mais recentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que o etanol hidratado só é vantajoso em relação à gasolina em Mato Grosso.

Apesar disso, para o longo prazo, a nova política de preços da Petrobrás, que prevê acompanhar as cotações dos combustíveis no mercado internacional, foi considerada positiva. O setor sofreu nos últimos anos com o congelamento da cotação da gasolina e viu diversas usinas fecharem as portas. “Imagine se essa política tivesse sido adotada em 2009, 2010”, disse a presidente executiva da Unica, Elizabeth Farina, referindo-se ao momento em que teve início a crise do setor. “Recebemos de forma positiva essa notícia, mas não deixamos de lado a defesa de uma política de valoração dos combustíveis renováveis”, frisou.

Riscos. Em relatório, o Itaú Unibanco disse considerar que a previsibilidade gerada por essa nova política de preços, anunciada pelo presidente da estatal, Pedro Parente, reduz os riscos regulatórios para o setor de etanol, o que é positivo no longo prazo. O argumento é o de que as cotações da gasolina congeladas nos últimos cinco anos foram um dos principais responsáveis pela crise que se abateu sobre o segmento sucroenergético.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, disse esperar que “junto com o novo comportamento de preços da Petrobrás também venha um novo comportamento do governo em relação às externalidades negativas da gasolina”. Para ele, seriam importantes tributações sobre o combustível fóssil, mais poluente.

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