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Etanol não ameaça a Amazônia, diz funcionário dos EUA

´Há um enorme equívoco internacional´, diz Dan Arvizu

Reuters

11 de julho de 2007 | 20h56

A produção brasileira de etanol não está devastando a Amazônia ou elevando os preços dos alimentos, disseram autoridades norte-americanas do setor energético na quarta-feira. "Há um enorme equívoco internacionalmente de que no Brasil estamos cortando a floresta para [fazer] combustíveis, o que não é verdade", disse Dan Arvizu, diretor do Laboratório Nacional de Energia Renovável do Departamento de Energia dos EUA. "Feita de forma responsável, [a produção de etanol] não tem de [competir] com a comida ou ter impacto sobre o meio ambiente", disse Arvizu a jornalistas em Brasília. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na segunda-feira que concorrentes europeus tentam prejudicar a produção nacional de biocombustíveis apresentando preocupações ambientais. Ambientalistas temem que a expansão das lavouras de cana para a produção de etanol empurre outros cultivos, como a soja, ainda mais para dentro da Amazônia. Produtores de petróleo e gás natural, como Venezuela e Bolívia, criticaram abertamente, junto com Cuba, a produção de etanol nos EUA e no Brasil, dizendo que a prática aumenta o preço dos alimentos e, conseqüentemente, a fome no mundo. Os EUA são atualmente o maior produtor mundial de etanol -- no caso, feito de milho. O Brasil é o maior exportador mundial do álcool combustível, aproveitando os 30 anos de experiência do programa Proalcool. Em março, os dois países firmaram um acordo para criar conjuntamente um mercado global do etanol e promover sua produção na América Latina e no Caribe. Na Europa e nos EUA, a produção de biocombustível custa muito mais que no Brasil e é fortemente subsidiada. Cultivar cana no clima equatorial amazônico não faz sentido comercialmente, segundo Gregory Manuel, coordenador de Energia Internacional no Departamento de Estado dos EUA. "A economia não guia a produção de etanol para a floresta. A produtividade em ambientes muito úmidos é mais ou menos metade da de ambientes temperados", afirmou. Os dois funcionários participam de uma cúpula empresarial EUA-Brasil em Brasília. Arvizu defendeu que o crescimento da produção seja cuidadosamente monitorado para evitar consequências indesejadas, mas acrescentou que o atual mercado mundial do etanol está muito aquém do que poderia ser com uma produção sustentável. "Achamos que pelo menos 25 por cento a 30 por cento do consumo [global] de gasolina poderia ser substituído por biocombustíveis usando as tecnologias de hoje sem ter impacto sobre os alimentos e fibras", disse Arvizu. O setor brasileiro de biocombustíveis também é acusado de se beneficiar da pobreza brasileira. As autoridades muitas vezes encontram trabalhadores em condições desumanas e na semana passada libertaram mais de mil deles em condições análogas à escravidão em um canavial do Pará. Em 2002, o governo lançou um plano nacional de erradicação do trabalho escravo.

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