Etanol será combustível de 25% dos carros em 2050, diz AIE

Agência diz que se etanol fosse suprimido, mundo teria que produzir 1 milhão de barris de petróleo a mais

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

13 de maio de 2008 | 12h37

Um quarto dos carros no mundo estarão sendo movidos à etanol até 2050. A estimativa é da Agência Internacional de Energia, com sede em Paris. Segundo a entidade, 700 milhões de toneladas de biocombustíveis estarão sendo vendidos em meados do século.  Veja mais:Preço do petróleo em alta Entenda a crise dos alimentos  Nesta terça-feira, 13, em seu relatório mensal, a AIE apontou para uma verdadeira "explosão" no uso do etanol. Hoje, se o lobby contra o etanol saísse vencedor, o mundo teria de produzir 1 milhão de barris a mais de petróleo para suprir o espaço que o etanol deixaria apenas nos Estados Unidos e Europa. "O volume de petróleo que seria necessário para cobrir o déficit causado por uma eliminação do etanol seria enorme", afirmou a AIE. Governos em todo o mundo vem sendo atacados por suas políticas de expansão do uso do etanol, acusados de estar gerando a alta nos preços dos alimentos. Alguns, como o ex-relator da ONU para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, chegaram a pedir uma moratória na produção do etanol. O ano deve terminar com o fornecimento de 1,5 milhão de barris de etanol por dia. Entre os países que não fazem parte da Opep, a produção de etanol mais que dobrou entre 2006 e 2008, passando de 214 mil barris por dia para 425 mil. Só na América Latina, a previsão é de 186 mil barris de etanol. Em 2007, 49% do crescimento do abastecimento de combustível nos países fora da Opep já ocorreu graças ao etanol. Em 2008, a taxa deve ser de 55%. A entidade insiste que uma diferenciação entre o etanol de cana-de-açúcar e o etanol de milho deve ser feita. "O etanol de cana produzido nas regiões tropicais e subtropicais como Brasil, África e Índia tem excelente características em termos econômicos, de redução de CO2 e baixa exigência de terras", afirmou a AIE, que garante que o etanol tem um papel importante no combate às mudanças climáticas.  A AIE aponta que os biocombustíveis ainda podem ajudar os países a substituir a importação de petróleo e diversificar as fontes de energia de um país. Mas a agência admite que há certos biocombustíveis, como aqueles produzidos a partir de grãos e milho nos Estados Unidos e Europa, que podem representar uma ameaça para a produção de alimentos. Mesmo assim, a entidade alerta que apenas 2% da produção mundial desses grãos é hoje destinada ao etanol.  Para garantir que efeitos negativos não se proliferem, a AIE pede que os governos incentivem as pesquisas sobre a segunda geração do etanol, feito a partir de produtos que não teria um impacto sobre a disponibilidade de alimentos.  Demanda O relatório da Agência aponta ainda que a alta nos preços do petróleo e a desaceleração da economia americana e européia devem gerar uma queda na demanda pelo combustível. Segundo a Agência Internacional de Energia, o mercado de petróleo registra um superávit nos últimos dois meses, tendência que deve se manter por todo o ano. A revisão da demanda acabou gerando uma queda no preço do petróleo nos mercados nesta terça. O consumo deverá aumentar em 1,03 milhão de barris por dia em 2008, 230 mil a menor que a previsão anterior. Essa não é a primeira revisão dos números feito pela AIE. Em julho, a estimativa era de que o consumo seria o dobro da atual previsão. Novos cortes não estão descartados. A demanda nos países emergentes continua forte. Segundo a AIE, essa demanda deve crescer em 3,7% em 2008, contra 1,5% na média mundial. A alta nas economias emergentes será de 1,4 milhão de barris por dia, consumo liderado pela China.  O problema é que os países ricos terão contração de sua demanda pelo terceiro ano consecutivo. Só nos Estados Unidos, a queda será de 2,1%, com um consumo total de 20,4 milhões de barris por dia. Para a agência, uma manutenção dos preços agora dependerá da Opep e de se os países estarão dispostos a manter os atuais níveis de produção.  Segundo os analistas, um dos fatores que fez com que o barril chegasse a US$ 125,00 foi a competição entre aqueles que estariam comprando para fazer estoques e os consumidores pensando no uso imediato.

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