'Eu não tenho mesa, sento na baia que está livre'

Entre outros motivos, Maurício Cascão, de 41 anos, trocou uma bem-sucedida carreira em multinacionais para comandar uma organização de pequeno porte e, assim, deixar sua marca no destino da companhia. Há pouco mais de um mês na Mandic, seu estilo já chama a atenção: não tem uma mesa só para ele, ocupa a baia disponível, vivencia lado a lado com os colaboradores o dia a dia dos vários setores da empresa. É sua maneira de dizer que quer uma empresa aberta, de conversa direta, sem barreiras. Formado em sistemas de comunicação pela École Polytechnique Fédérale de Lausanne (Suíça), possui mestrado em redes pela Universidade de Nice (França), além de MBA em finanças pela Universidade de Ohio (EUA). Desenvolveu seu trajeto na HP, AT&T e Telecom Italia ocupando cargos de média e alta gerência. Na Mandic, um investimento do grupo Riverwood Capital, seu desafio é tornar a empresa uma marca forte em serviços de cloud computing para pequenas e médias empresas.

Entrevista com

CLÁUDIO MARQUES, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h11

Quem é Maurício Cascão?

É um cara que veio de uma carreira corporativa sempre envolvida com tecnologia, trabalhou sempre em multinacionais em vários países. É uma carreira eclética, embora ancorada numa área de tecnologia. Em certo momento percebeu que além de adorar TI, tinha outra paixão: fazer negócios com tecnologia. Hoje, está à frente de uma empresa que é fundamentalmente de tecnologia e numa posição de gerar negócios. Acho que deste ponto em diante ele vai partir para uma aventura depois da outra em empresas menores.

Gosta de aventuras, então?

Sem dúvida. Eu fiquei mais de 10 anos na última organização e alguém pode dizer: puxa para quem gosta de aventura você ficou muito tempo na mesma empresa. Fiquei, mas brinco dizendo que foram várias empresas em uma, porque a cada dois, três anos, eu mudava de função. Trabalhei na Itália, trabalhei nas áreas de redes, de TI, de inovação. Eu chegava ao local, encontrava um desafio, executava, entregava o resultado e buscava uma nova missão. Então, agora eu estou com uma nova missão: fundir duas empresas (Mandic e Tecla Internet), prospectar a aquisição de outras, porque faz parte do jogo esse tipo de crescimento, criar uma nova cultura que tenha um pouco da minha cara, que eu possa influenciar, colocar a minha assinatura.

Foi o dinheiro que o levou a mudar o rumo da sua carreira?

Seria leviano eu dizer que a questão financeira não seria um atrativo. Mas é um atrativo num segundo momento, porque como me tornei um investidor da empresa, no começo você até abre mão de dinheiro, perde benefícios que tinha nas grandes empresas. Mas com o projeto tendo sucesso, ganha-se muito mais dinheiro. Mas outro aspecto foi muito importante. Em um ponto da carreira nas grandes corporações, chega-se a uma posição que, além de entregar um resultado condizente com o posto que ocupa, há um viés de relacionamento, de política, que vai se tornando, na minha visão, forte demais. Em alguns casos, chega a ser preponderante. E a experiência que eu estou tendo agora numa organização menor é a de que seu peso se dá muito mais em função do que você traz para a organização. Aqui, a questão do resultado é preponderante. Mais uma coisa: quando se atinge determinado grau de maturidade, começa a passar pela sua cabeça coisas como 'se eu fosse fazer, eu faria desse jeito'. E numa grande organização você pode até influenciar um grande número de pessoas que estão a sua volta, mas não consegue influenciar de modo determinante no destino da organização. Aqui, estou com o timão na mão, e aí a sua capacidade de influenciar e deixar a sua assinatura nessa organização é muito grande.

Como você se atualiza numa área que muda rapidamente?

Eu não gosto de sala, não gosto de parede. Aqui na organização, eu não tenho a minha mesa, eu sento na baia que está livre, chego com o meu computador e procuro ficar perto de pessoal novo. E eu quero viver o que o pessoal de vendas está vivendo, sento perto do pessoal de tecnologia para viver o que eles estão vivendo e desenvolvendo nessa coisa fantástica chamada computação em nuvem, então aprende-se por osmose. Eu não tenho mais o tempo de sentar e estudar, mas eu aproveito intensamente os momentos em que eu estou lado a lado com o pessoal mais novo, que está com a tecnologia na ponta dos dedos. É o meu aprendizado.

É um estilo diferente.

É. Eu ouvi uma expressão que me agradou e diz: os seus gestos são tão fortes que eu não ouço suas palavras. Isso representa uma maneira de dizer 'olha pessoal, quero uma organização sem política, focada em resultados, onde a conversa seja direta, que não haja barreiras, quero todos trabalhando juntos em prol de um objetivo'. E mais do que palavras, é com quem conversa, como trata as pessoas. Para mim, não tem aquela coisa 'o presidente chegou". Não tem isso. No dia em que eu perceber que isso está ocorrendo, eu vou ter de ver o que estou fazendo de errado.

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