David Swanson/EFE - 1/7/2020
David Swanson/EFE - 1/7/2020

EUA abrem 4,8 milhões de vagas em junho e taxa de desemprego recua para 11,1%

Recuperação do mercado de trabalho acontece durante a retomada de atividades não essenciais, como bares e restaurantes, que recontrataram funcionários

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2020 | 11h22

Os Estados Unidos abriram 4,8 milhões de vagas de trabalho no mês de junho, segundo dados do relatório de empregos, conhecido como payroll, divulgados nesta quinta-feira, 2, pelo Departamento do Trabalho do país. 

O resultado surpreendeu o mercado e reforça a tese de que há uma recuperação econômica em curso, após a paralisação da atividade econômica por causa da pandemia de covid-19. A mediana de analistas consultados pelo Projeções Broadcast apontava para criação de 3,7 milhões de vagas.

A taxa de desemprego, por sua vez, caiu de 13,3% a 11,1% no mesmo intervalo, também surpreendendo a estimativa de queda a 12%. A fatia da população dos EUA que está na força de trabalho cresceu 0,7 ponto porcentual, para 61,5%. "Esas melhorias no mercado de trabalho refletem a continuação da retomada da atividade econômica, afetada em março e abril devido à pandemia de coronavírus", disse o órgão oficial, em nota.

A criação de vagas em junho representa o maior salto desde que o governo começou a manter registros, em 1939. Em maio foram criados 2,699 milhões de postos de trabalho.

Futuro ainda incerto

Os ganhos de emprego somam-se a uma série de dados, incluindo gastos do consumidor, que mostram forte recuperação da atividade. Mas a reabertura de empresas depois que foram fechadas em meados de março desencadeou uma onda de infecções por coronavírus em grandes partes do país, incluindo os populosos Estados da Califórnia, Flórida e Texas.

Vários Estados estão reduzindo ou interrompendo a reabertura desde o fim de junho e mandaram alguns trabalhadores para casa. O impacto dessas decisões ainda não apareceu nos dados de emprego, pois o governo pesquisou empresas no meio do mês.

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banceo central norte-americano), Jerome Powell, reconheceu nesta semana a recuperação da atividade, dizendo que a economia “entrou em uma nova fase importante e (o fez) antes do esperado”. Mas alertou que a perspectiva “é extraordinariamente incerta” e dependerá de “nosso sucesso em conter o vírus”.

O emprego está aumentando amplamente pois as empresas recontratam os trabalhadores que foram demitidos quando negócios não essenciais, como restaurantes, bares, academias e consultórios odontológicos, entre outros, foram fechados para retardar a disseminação do coronavírus.

Economistas atribuíram a explosão de ganhos de postos de trabalho ao programa do governo que concede empréstimos às empresas que podem ser parcialmente perdoados se usados para pagar os salários dos funcionários. Esses fundos estão secando.

Em uma economia que já havia entrado em recessão em fevereiro, muitas empresas, incluindo algumas que não foram afetadas inicialmente pelas medidas de isolamento, estão enfrentando uma demanda fraca.

Economistas e observadores do setor dizem que isso, juntamente com o esgotamento dos empréstimos do programa do governo, desencadeou uma nova onda de demissões que mantém semanalmente novos pedidos de auxílio-desemprego extraordinariamente altos.

Em outro relatório divulgado nesta quinta-feira, o Departamento do Trabalho disse que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego totalizaram 1,427 milhão em dado com ajuste sazonal na semana encerrada em 27 de junho, ante 1,482 milhão na semana anterior. / COM REUTERS

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