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EUA abrem caminho para ampliar participação nos bancos

Governo detalha plano de ajuda aos bancos, estuda assumir até 40% do Citigroup e fazer aporte na seguradora AIG

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

24 de fevereiro de 2009 | 00h00

O governo dos EUA admitiu ontem que pode aumentar sua participação acionária nos bancos do país. Em um comunicado conjunto, o Departamento do Tesouro, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e agências governamentais de regulação anunciaram que os "testes de stress" para determinar a saúde financeira dos 20 principais bancos vão começar amanhã.O objetivo dos testes é avaliar se as instituições têm "amortecedor financeiro" suficiente para enfrentar uma situação econômica em deterioração. "Se a avaliação indicar que determinada instituição precisa de mais capital", o banco terá oportunidade de tentar levantar recursos de fontes privadas, informou o comunicado. Se não conseguir, o banco será obrigado a permitir que o governo transforme as injeções de capital já realizadas por ações ordinárias (com direito a voto). Segundo o comunicado, o programa "parte do pressuposto de que os bancos devem permanecer na iniciativa privada". Mas, mesmo tentando afastar o fantasma da estatização, o governo admitiu que pode aumentar significativamente sua participação acionária nos bancos.O Tesouro tentou tranquilizar o mercado, ao garantir que não vai deixar os grandes bancos do país quebrarem, e detalhar o plano para resgatar as instituições financeiras. Mas o anúncio não acalmou ninguém. O Índice Dow Jones, o mais tradicional da Bolsa de Nova York, fechou no nível mais baixo desde 1997, em queda de 3,4%. Isso apesar de as ações do Citigroup e do Bank of America (BofA) - os dois maiores do país, que estão em situação mais crítica - fecharem em alta depois de recuarem mais de 50% na semana passada. Os papéis do Citi avançaram 9,7% e os do BofA, 3,2%. As autoridades reguladoras tentaram dissipar rumores de que, após os testes de stress, os bancos seriam fechados ou estatizados, dependendo da situação de cada um. O Tesouro também quis demonstrar que não repetirá a debacle do Lehman Brothers, que quebrou em setembro. Depois que o governo deixou o banco falir, houve uma reação em cadeia que derrubou o mercado e várias instituições, que não se recuperaram até hoje.O texto também tentou desfazer a impressão de que vários bancos estão insolventes. "As maiores instituições bancárias dos EUA têm capital suficiente para serem consideradas bem capitalizadas", informou. Na quinta-feira, porém, a Sociedade Federal de Seguro de Depósito (FDIC, em inglês), agência garantidora de contas bancárias, deve elevar o número de bancos em sua lista de "perigo".CITI A rede CNBC informou que o governo está prestes a assumir uma participação acionária de até 40% no Citigroup. A informação foi atribuída a fontes do Tesouro. A operação envolveria a conversão dos US$ 45 bilhões que o governo injetou no banco em 2008, pela qual recebeu ações preferenciais, em ações ordinárias (com direito a voto). Executivos do banco haviam oferecido até 25%, mas o Tesouro exigiu mais.Apesar de não deter mais de 50% das ações, ao assumir uma participação de 40% o governo seria o acionista majoritário do Citi e, na prática, mandaria no banco. Hoje, com vários reguladores acompanhando as operações do dia-a-dia, já há uma considerável intervenção estatal na instituição.O governo americano também está discutindo com a seguradora American International Group (AIG) a possibilidade de recursos adicionais para a companhia e a troca de ações preferenciais em poder do governo por ações ordinárias, também segundo a CNBC. De acordo com a rede, caso não haja um acordo, os advogados da AIG já se estariam preparando para a possibilidade de falência. A CNBC informou ainda que a seguradora deve divulgar um prejuízo próximo a US$ 60 bilhões, correspondente a baixas contábeis, grande parte relativas a marcação a mercado de ativos tóxicos. O governo já injetou cerca de US$ 150 bilhões na AIG.

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