Andrew Kelly/Reuters
Andrew Kelly/Reuters

EUA acusam dois brasileiros por vida de luxo sustentada por esquema de pirâmide com criptomoedas

Emerson Sousa Pires e Flavio Mendes Gonçalves estão sendo investigados por se apropriarem indevidamente de milhões de dólares de investidores nos EUA

Aline Bronzati, correspondente, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2022 | 14h37

NOVA YORK - Dois brasileiros foram acusados de fraude nos Estados Unidos por um esquema de pirâmide financeira global, envolvendo criptomoedas, e que teria deixado US$ 100 milhões em perdas. Emerson Sousa Pires e Flavio Mendes Gonçalves, juntamente com o americano Joshua David Nicholas, estão sendo investigados por se apropriarem indevidamente de milhões de dólares de investidores nos EUA em troca de uma vida de luxo no país, com direito a Lamborghini, compra de imóveis luxuosos e gastos na joalheria Tiffany.

Em ações paralelas, o caso foi denunciado nesta quinta-feira, dia 30, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e reguladores do mercado de capitais, como a Securities and Exchange Commission (SEC) e a Commodity Futures Trading Commission (CFTC). A investigação envolve ainda o FBI e a Agência de Investigações de Segurança Interna dos EUA, a HSI.

Os brasileiros Emerson Sousa Pires e Flavio Mendes Gonçalves, ambos de 33 anos, são apontados como fundadores da EmpiresX, uma espécie de pirâmide financeira, e teriam deixado os EUA, retornando ao Brasil no início deste ano, após a eclosão do esquema fraudulento. Já o americano Joshua David Nicholas, de 28 anos, é apresentado como 'head trader', ou diretor de negociação, da suposta empresa.

A reportagem não conseguiu contato com os acusados. A reportagem será atualizada quando houver um posicionamento. 

Segundo a acusação, o esquema de fraude teve início em meados de 2020, baseado na promessa de lucros de 1% ao dia, a partir de um robô de investimentos em criptomoedas, e que arrecadou cerca de US$ 40 milhões de investidores, conforme a SEC. O órgão acusa o sistema de ser falso, com as negociações resultando em "perdas significativas" a investidores enquanto apenas uma pequena parcela do dinheiro dos investidores foi transferida para a conta de corretagem da empresa, a EmpiresX.

"Em vez disso, os réus supostamente se apropriaram indevidamente de grandes somas de dinheiro dos investidores para alugar um Lamborghini, fazer compras na Tiffany & Co., fazer um pagamento em uma segunda casa e muito mais", diz a SEC, em comunicado divulgado na noite de ontem, dia 30.

A Justiça dos EUA, por sua vez, acusa o trio de deixar fraudes de US$ 100 milhões por meio de um esquema global de pirâmide financeira. A partir de um júri no Distrito Sul da Flórida, Pires e Gonçalves também foram denunciados por conspiração para cometer lavagem internacional de dinheiro.

Tanto a SEC quanto a Justiça dos EUA listam uma série de acusações aos brasileiros e o americano, que incluem informações falsas a investidores, envio de documentos aos órgãos reguladores, licenças para operar, além de ofertas de títulos não registrados. Quando o esquema de pirâmide financeira começou a desmoronar, o trio quebrou promessas anteriores de que os investidores poderiam retirar facilmente seu dinheiro, o que não era possível visto que o dinheiro havia sido desviado.

"Os réus supostamente se envolveram em uma oferta não registrada com uma série de declarações fraudulentas destinadas a atrair investidores com a perspectiva de lucros diários constantes", afirma a chefe interina da unidade de ativos e cibernética da SEC Enforcement Division, Carolyn Welshhans. Segundo ela, a ação do órgão visa a proteger os investidores, revelando a má conduta do trio por trás da EmpiresX.

Não é a primeira ação da SEC contra um dos supostos fraudadores. Em maio deste ano, a agência reguladora do mercado de capitais dos EUA já havia acusado Emerson Sousa Pires por aplicar, ao lado de seu sócio na Mining Capital Coin, Luiz Carlos Capuci Júnior, um golpe global, também do universo de criptomoedas.

Se condenados por todas as acusações, Pires e Gonçalves podem pegar até 45 anos de prisão e Nicholas pode pegar até 25 anos de prisão, de acordo com a Justiça dos EUA. No mesmo comunicado que acusou os brasileiros, o órgão anunciou ainda o indiciamento no total de seis pessoas, em quatro casos por suposto envolvimento em fraudes relacionadas a criptomoedas.

As denúncias ocorrem em meio a outros casos de colapso no mundo de criptoativos e a queda de valor de mercado após o boom de 2021, com algumas moedas digitais perdendo de 70% a 90%. Pressionado pela fuga de investidores em meio à subida de juros por parte dos bancos centrais para controlar a elevada inflação, o setor enfrenta o que especialistas têm chamado de 'crypto winter', inverno das criptomoedas, na tradução literal.

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