EUA acusam China e Índia de ameaçarem sucesso de Rodada de Doha

Um embate entre os Estados Unidos edois grandes mercados emergentes, a China e a Índia, a respeitoda redução das tarifas para produtos agrícolas e manufaturadosameaça jogar por terra mais de uma semana de esforços parasalvar um acordo mundial de comércio. As "ações (da China e da Índia) expõem toda a Rodada deDoha, a Rodada de Desenvolvimento de Doha, aos piores riscos jáenfrentados em seus quase sete anos de vida", afirmou nasegunda-feira, a membros da Organização Mundial do Comércio(OMC), David Shark, autoridade da área de comércio dos EUA. Shark acusou os indianos e os chineses de rejeitaremelementos centrais de um pacote de concessões cuidadosamenteelaborado e apresentado na semana passada pelo diretor-geral daOMC, Pascal Lamy. "A menos que esses dois membros revertam imediatamente ocurso de suas ações, adotando uma postura capaz de solucionarproblemas ao invés de uma postura tendente a criá-los, todosnós sairemos de Genebra de mãos vazias", afirmou Shark,vice-embaixador dos EUA junto à OMC. Autoridades da organização disseram que os pontos jáacertados superam em muito as diferenças ainda existentes. "Estamos perto do que podemos descrever como um avançomuito substancial. Vamos caminhar essa pequena distância até acúpula", afirmou Lamy aos delegados. Chefes da área de comércio de cerca de 30 países-membrosimportantes da OMC encontram-se em Genebra desde segunda-feirapassada a fim de tentar chegar a um acordo sobre os cortes nossubsídios agrícolas e sobre as tarifas para os setores agrícolae manufatureiro. Os EUA, sob pressão para diminuir seus subsídios e tarifasem mercados de peso como o automobilístico e o de roupas,insistem que os países em desenvolvimento precisam, em troca,abrir seus mercados também. No setor manufatureiro, os norte-americanos desejam que aChina, Índia e outros países aceitem realizar negociações"setoriais", um processo por meio do qual uma massa crítica depaíses acertaria o corte de tarifas para o mais perto possíveldo zero em relação a vários produtos industrializados, de jóiasa substâncias químicas. "Agora precisamos de uma liderança real nos momentos finaispara que não desperdicemos o que já conquistamos nos últimossete anos", afirmou um porta-voz de Peter Mandelson, comissáriodo comércio da UE. Os países-membros da OMC acolheram a idéia dos acordossetoriais "voluntários" quando ministros se encontraram em2005, em Hong Kong. A China e a Índia discordam, no entanto, de uma nova regrapor meio da qual os países que participassem de ao menos duasnegociações setoriais poderiam realizar cortes menores em suastarifas para outros produtos manufaturados. "O que os países desenvolvidos buscam agora é um processode negociação que vai muito além do decidido em Hong Kong",disse Lu Xiankun, uma autoridade chinesa. FRANÇA BUSCA APOIO Ainda na segunda-feira uma autoridade do governo francêsafirmou que o país busca reunir apoio de outros países da UniãoEuropéia contra as atuais propostas para um acordo. "Está claro que a França, como Estado-membro e não comopresidente da UE, está tentando reunir certos parceiros para asua idéia", disse à Reuters a autoridade, que não quis seidentificar. "Um certo número de membros, alguns do tamanho da França,dirão algo nas próximas horas", completou. O porta-voz do governo, Luc Chatel, disse mais cedo que aspropostas atualmente em discussão não são aceitáveis para aFrança, que ocupa a Presidência da UE até o final do ano. (Reportagem adicional de Jonathan Lynn, Laura MacInnis,Sybille de la Hamaide, Valerie Parent e Robin Pomeroy)

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