EUA acusam França de atrapalhar negociações da OMC

Os Estados Unidos acusaram o presidente da França, Jacques Chirac, de atrapalhar os últimos esforços para resgatar a rodada mundial de comércio de Doha, informou hoje o jornal Financial Times. O governo norte-americano afirma que Chirac está alimentando as dúvidas sobre a disposição da União Européia (UE) de liberar seu comércio agrícola.Os países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) vão se reunir nesta semana em Genebra para tentar estabelecer uma estrutura para as negociações. O representante para o comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick, em entrevista ao diário britânico, disse que, se a reunião fracassar, será difícil ressuscitar a rodada de Doha. Chirac disse na semana passada que o rascunho de acordo que estava sendo avaliado pelos negociadores da OMC era "profundamente desequilibrado" e contrário aos interesses europeus. Segundo ele, França não aceitaria a proposta como uma base para as negociações e disse que ela precisa ser alterada.Segundo Zoellick, os comentários de Chirac causaram incerteza entre outros países. "O que venho sentindo é que há preocupação sobre a União Européia", disse Zoellick. "Os comentários de Chirac levaram as pessoas a terem dúvidas do que vai acontecer."AdesõesZoellick disse que outros países poderão se tornar menos dispostos a fazer concessões porque Chirac colocou em dúvida o compromisso da UE de diminuir suas barreiras agrícolas. "Eu acho que o fato de Chirac ter manifestado tão publicamente sua opinião vai levar todo mundo a monitorar com muita atenção como serão arranjados os compromissos sensíveis que teremos que ter em outras áreas", disse Zoellick. As objeções de Chirac ao rascunho de acordo da OMC até o momento não atraíram o apoio de outros membros da UE. Mas, segundo o jornal britânico, a França está pressionando o comissário europeu para o comércio, o francês Pascal Lamy, que na opinião de Chirac tem feito concessões demais nas negociações. Zoellick, que vai se reunir com Lamy e outros ministros em Genebra nesta semana, disse que um acordo vai depender também da flexibilidade dos países pobres e da disposição dos países em desenvolvimento mais avançados, como o Brasil e Índia, em abrirem seus mercados.

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