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EUA adotam tablet indiano de US$ 40

Escolas têm grande contingente de alunos sem acesso a equipamentos de tecnologia em comunidades pobres localizadas na região do Vale do Silício

VIVEK WADHWA, THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2013 | 02h16

Quando se pensa no Vale do Silício, imagina-se um local cheio de viciados em tecnologia. Palo Alto é um polo de inovação. Mas em East Palo Alto, no outro lado da cidade, o que se vê é pobreza e desespero. As taxas de evasão no ensino médio alcançam 65% e só 10% dos estudantes chegam à universidade. A maioria não tem acesso à tecnologia básica.

A situação não é diferente em cidades vizinhas como Oakland e San José - e em outras partes dos Estados Unidos. Isso é particularmente incompreensível dado que o setor de tecnologia está tão desesperado por talentos que precisa correr o mundo atrás deles. Resolver a disparidade digital não só ajudaria comunidades pobres como poderia ajudar a solucionar a escassez de talentos no Vale do Silício.

Por que nem todas as crianças têm tablets e laptops, hoje tão necessários quanto os livros didáticos? Porque eles são caros demais. Os laptops custam mais de US$ 500. O iPad mais barato custa US$ 300. Toda atualização de produto da Apple, Samsung e Dell inclui um processador mais rápido e novos recursos, mas os preços não caem a ponto de ficar ao alcance de todos.

O governo indiano percebeu há alguns anos que o setor de tecnologia não tinha nenhuma motivação em atender às necessidades dos pobres. Com aparelhos de baixo custo, o volume de vendas seguramente cresceria, mas as margens se comprimiriam.

Assim, a Índia decidiu projetar seu próprio computador de baixo custo. Em julho de 2010, o governo apresentou o protótipo de um tablet portátil com tela de toque de US$ 35 e se ofereceu para comprar 100 mil unidades de qualquer fornecedor que os fabricasse. Ele prometeu colocá-los no mercado no prazo de um ano e depois comprar outros milhões para estudantes.

Três anos depois, o governo indiano entregou um tablet de 7 polegadas com o sistema Android, do Google, chamado "Aakash". Este tinha um processador tão potente quanto o primeiro iPad, duas vezes mais memória RAM e uma tela de toque de LCD. Exibe vídeos em tela completa, permite navegação na web, jogar videogames e a leitura de eBooks. A fabricante foi uma companhia canadense, a Datawind. O tablet deve ser vendido nos Estados Unidos no início de 2014.

Uma professora do ensino secundário de Palo Alto, Esther Wokcicki, avaliou os tablets para julgar se eles eram apropriados para crianças americanas. Esther entregou seis tablets Aakash de US$ 40 a seus alunos na Palo Alto High, onde as crianças da elite de Palo Alto estudam. Os resultados foram surpreendentemente positivos. Embora as crianças tivessem achado os tablets mais lentos que seus iPads, eles foram úteis e divertidos.

O filantropo Chris Evans testou os aparelhos com crianças necessitadas. Evans doou 100 tablets Aakash para Comunidades de Escolas do Condado de Wake, em Raleigh, Carolina do Norte, para um programa de verão destinado a crianças afroamericanas.

Evans visitou um local onde os tablets estavam sendo usados por 30 crianças. "Elas usavam programas de aprendizado - alguns ensinando matemática, outros leitura. Os administradores me disseram que os garotos na sala já estavam se tornando proficientes nas habilidades que só aprenderiam no semestre seguinte", lembra.

O filantropo diz que os educadores estavam empolgados porque estes garotos, que com frequência estavam atrasados em relação a seus colegas, iniciarão o próximo ano letivo mais bem preparados.

O próximo passo é ensinar crianças a escreverem códigos de computador. Há dois pilotos sendo planejados na Virgínia e no Vale do Silício. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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