EUA ainda buscam saída para dívida

Há uma semana do prazo para estouro das contas do País, líder republicano apresenta proposta com itens já rejeitados por democratas

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo,

24 de julho de 2011 | 19h45

Preocupado em impedir uma nervosa abertura das bolsas de valores asiáticas hoje e o pessimismo no mercado financeiro, o republicano John Boehner, presidente da Câmara, apresentou na tarde de ontem um novo plano para a elevação do teto da dívida pública dos Estados Unidos. O projeto prevê redução de cerca de US$ 4 trilhões no passivo até 2022. Mas traz premissas rejeitadas antecipadamente pela Casa Branca e pela base do partido democrata no Congresso.

Na sexta-feira, Boehner gerou novo impasse em Washington ao abandonar as negociações mantidas com o presidente americano, Barack Obama. Ontem, ao enfrentar novamente a Casa Branca com sua proposta, acentuou as dúvidas sobre um possível consenso no Congresso para o teto da dívida até 2 de agosto, prazo dado pelo Departamento do Tesouro antes de anunciar a primeira suspensão de pagamentos federais da sua história. Líderes democratas discutiam ontem uma proposta alternativa.

Apesar de advertido pelo próprio Obama, no sábado, Boehner incluiu na sua proposta um aumento de curto prazo de US$ 1 trilhão no teto da dívida pública, hoje de US$ 14,3 trilhões. Essa cifra evitaria a declaração de suspensão de pagamentos pelo Tesouro no próximo dia 3. Exigiria, porém, novas negociações no Congresso sobre uma segunda alta do teto da dívida no início de 2012, desta vez em um ambiente mais contaminado pela eleição presidencial de novembro. Obama é candidato à reeleição.

"Se nós permanecermos juntos, podemos aprovar isso para o povo americano", afirmou Boehner, em uma conferência por telefone com a base republicana do Congresso. "Se um projeto de lei bipartidário não for possível, eu e meus colegas republicanos da Câmara estamos preparados para irmos adiante", avisara pela manhã, em entrevista à rede de televisão conservadora Fox News.

Alerta

Ontem, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, deixou claro que a Casa Branca e o Senado, com sua maioria democrata, não aceitarão a elevação do teto da dívida em duas etapas. William Daley, equivalente ao ministro da Casa Civil no Brasil, enfatizou a decisão já tomada por Obama de vetar a proposta, se ela não permitir atravessar todo o ano de 2012 sem novamente expor o país a uma nova incerteza sobre sua capacidade de pagar a dívida. O democrata Harry Reid, presidente do Senado, igualmente havia rejeitado essa iniciativa, antes do anúncio de Boehner.

"O presidente acredita que devemos tirar essa incerteza do sistema", afirmou Daley à rede de televisão NBC News. "Nós não podemos deixar a ameaça de suspensão de pagamentos pairando sobre a economia americana. Isso é como um imposto para todos os americanos. É profundamente irresponsável", declarou Geithner em programa dominical da CNN.

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