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EUA ainda não preocupam indústria nacional

Os sinais crescentes de fraqueza da economia dos Estados Unidos, que podem levar a uma recessão, ainda não preocupam a indústria nacional. Até agora, o dia-a-dia das empresas não foi afetado, segundo economistas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A expectativa dos empresários é de que a economia norte-americana, após a desaceleração acentuada neste primeiro semestre, iniciará a recuperação no segundo semestre. No máximo, os empresários brasileiros esperam a redução das exportações, dizem os economistas dessas entidades. "Os empresários estão atentos ao risco que os Estados Unidos representa, mas os Estados Unidos ainda não afetam o dia-a-dia operacional das empresas", disse o economista-chefe da Fiesp, André Carvalho. "De imediato, não vejo implicações tão grandes para o País", reforçou Flávio Castelo Branco, coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI. O economista da Fiesp alertou empresários que fiquem atentos para o risco de que a economia continue patinando e não se recupere neste ano. Os dois economistas ponderam que a indústria nacional não sofreria um impacto maior do desaquecimento norte-americano, porque a economia brasileira é muito fechada. As exportações brasileiras representam cerca de 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, ao contrário de economias mais abertas, como a do México, onde esta relação é de quase 40%. "Se o País não se beneficiou muito com o boom norte-americano, também não sofre com a crise", afirmou Carvalho. Balança - Pelo prisma específico da balança comercial, dos US$ 55 bi exportados pelo Brasil em 2000, 23,93% foram para os Estados Unidos, sendo que a maior fatia é de produtos manufaturados. Segundo Castelo Branco, outros países latino-americanos, que têm um comércio mais forte com os Estados Unidos, serão mais afetados, o que trará consequências adicionais ao Brasil. Ao terem suas exportações reduzidas, as economias desses mercados sofrerão alguma desaceleração, reduzindo, consequentemente, importações. Em 2000, as exportações brasileiras para a Argentina e o Chile representaram 13,57% do total, o que demonstra a importância do mercado latino para o Brasil. "O que se verá nos Estados Unidos será o oposto no Brasil", disse Carvalho, otimista sobre um crescimento do PIB de 4%, com a recuperação do emprego ao longo de 2001. "Serão movimentos opostos." Os economistas concordam que apenas a ocorrência de uma crise de liquidez bancária nos Estados Unidos, em consequência da inadimplência crescente das empresas e dos consumidores, poderia abalar a economia brasileira, na esteira do que ocorreria também no resto do mundo. "Seria o pior cenário possível", afirmou Castelo Branco. Se isso ocorresse, o contágio da crise financeira reduziria o fluxo de investimentos diretos para o Brasil, além do efeito imediato no mercado financeiro doméstico.

Agencia Estado,

05 de fevereiro de 2001 | 09h32

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