Joshua Roberts/ REUTERS
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EUA anunciam tarifa de importação para folhas de alumínio do Brasil e outros 17 países

Secretário de Comércio diz que países exportam os produtos a preços inferiores aos valores de mercado para prejudicar os EUA; Ministério da Economia informou que acompanha a investigação sobre suposta prática anticoncorrencial, que deve ser concluída em fevereiro de 2021

André Marinho e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2020 | 09h01
Atualizado 09 de outubro de 2020 | 17h10

SÃ PAULO e BRASÍLIA - O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, anunciou nesta sexta-feira, 9, a imposição de tarifas em US$ 1,96 bilhão de produtos de folha de alumínio importados de 18 países, entre eles Brasil e Alemanha. "Esse é o caso mais amplo e abrangente que o departamento apresentou em mais de 20 anos", disse Ross, em entrevista à Fox Business. 

Segundo ele, a decisão é resultado de um estudo preliminar que concluiu que essas economias exportam os bens a preços inferiores aos valores de mercado para prejudicar o setor doméstico, prática conhecida como dumping. As tarifas serão aplicadas imediatamente, mas o parecer final será concluído em fevereiro de 2021. 

O Ministério da Economia informou que acompanha a investigação sobre dumping nas exportações para os Estados Unidos de chapas de alumínio do Brasil e de outros 17 países. 

Segundo a pasta, a decisão dos EUA foi tomada no contexto da investigação iniciada em 30 de março de 2020. "O governo brasileiro tem trabalhado em colaboração com os exportadores brasileiros e com a associação setorial, por meio do sistema de apoio ao exportador do Ministério da Economia e do Ministério das Relações Exteriores, para buscar defender os interesses de exportação do Brasil e para acompanhar a adequação da investigação conduzida pelos EUA às regras multilaterais", diz a nota enviada ao Estadão/Broadcast.

O ministério lembra que medidas antidumping podem ser aplicadas apenas na medida necessária para neutralizar a prática de discriminação de preços. "Na eventualidade de uma medida antidumping ser aplicada de forma definitiva, os exportadores brasileiros poderão solicitar revisões administrativas anuais com vistas a demonstrar a adequação de suas exportações às regras multilaterais, e requerer a devolução dos montantes depositados em garantia."

O presidente-executivo da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Milton Rego, disse, também em nota, acompanhar com preocupação "a escalada de restrições impostas pelos Estados Unidos aos seus parceiros comerciais". "É um processo que começou com sanções à China e que vem recrudescendo desde então."

Ele afirmou ainda que a intenção de impor tarifas aos principais exportadores de chapas de alumínio "é algo nunca visto nas relações de comércio internacional". "A Abal e suas associadas estão se defendendo nos fóruns adequados. A atitude de estipular taxas antes mesmo de concluída a investigação sobre uma suposta prática de dumping, prejudica enormemente o Brasil, uma vez que os EUA são o principal mercado comprador das nossas chapas de alumínio.” / COLABOROU MARIANA HALLAL

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