EUA apoiam países emergentes no FMI

Peso dos europeus deve ser transferido para emergentes

Jamil Chade, BASILEIA, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2009 | 00h00

Apesar da resistência da Europa sobre uma mudança profunda no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial para dar maiores poderes aos países emergentes, o Brasil e os países emergentes conseguiram pela primeira vez a garantia de uma reforma "significativa" do poder de votos dentro das instituições. O tema foi tratado pelos ministros de Finanças que se reuniram no fim de semana em Londres. Um documento obtido pelo Estado revelou o apoio dos EUA às linhas da reforma pedida pelos emergentes, mas exigindo a retirada de votos da Europa.

"Não há mais dúvida de que a reforma vai ocorrer. Já há um consenso de que as cotas aos emergentes terão de crescer dentro das entidades", afirmou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Para ele, há um amadurecimento da ideia da mudança de poder de voto dentro das entidades. Segundo ele, o processo estará concluído em janeiro de 2011.

A ideia do Brasil é conseguir que metade dos votos dentro do FMI sejam dados para os países emergentes, acabando com o domínio de 60 anos da entidade pelos países ricos. O governo já fechou uma posição com os demais países de que não aceitará uma reforma tímida das entidades, já que sabe que essa é uma oportunidade única e que outra reforma ocorrerá só em algumas décadas.

Em 2008, uma mudança no equilíbrio dos votos já ocorreu, mas com uma perda de poder de apenas 2,3% dos países ricos aos emergentes. Há praticamente um consenso de que os países emergentes precisam ganhar um novo lugar no FMI e no Banco Mundial. A briga agora é para saber quem é que terá sua cota reduzida. É nesse ponto que há entraves.

Inúmeras fórmulas matemáticas e equações estão sendo feitas por técnicos para tentar definir o novo modelo de participação. Mas elas não são apolíticas. Cada uma reforça um ponto que reduziria ou manteria o poder de alguns países ricos.

A Casa Branca, que não quer ver seu poder reduzido dentro das instituições exatamente no momento que novas regras estão sendo elaboradas, insiste que está na hora da Europa abdicar de certa parte de seu poder dentro do FMI. Para Washington, já não faria mais sentido o peso relativamente grande de países da Europa, como Holanda ou Suíça. Os Estados Unidos acreditam que o peso europeu deve ser repassado aos emergentes. Nisso, americanos e emergentes se beneficiariam de uma certa aliança.

Em um documento obtido pelo Estado, Washington propõe um corte de 5% nos votos dos países ricos. Na prática, seria um corte de 5% nos votos dos europeus. Os emergentes querem uma redução de 7%. Com isso, seu poder dentro do FMI passaria de 43% dos votos para pelo menos 50%, dividindo a entidade em proporções iguais entre ricos e emergentes.

Mas para a Europa, não está claro porque motivo eles devem pagar politicamente por uma crise criada nos EUA. Os países pequenos dentro da Europa seriam os mais afetados. Mas, se publicamente a França se diz favorável a uma maior participação dos emergentes, nos bastidores deixa claro que nem ela nem a Alemanha aceitará uma redução do papel apenas da Europa.

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