EUA apresentam duas ações contra China na OMC

Os Estados Unidos acionaram nesta terça-feira, 10, a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a China por conta de pirataria e bloqueio de acesso a filmes, livros e softwares norte-americanos. Washington acusa Pequim de romper o acordo firmado em 2001 para a entrada do país na Organização e quer consultas com a China em relação às duas reclamações, que podem provocar a apresentação de uma queixa formal se não houver acordo em 60 dias. "Eles foram apresentados", disse uma autoridade do setor de comércio, em relação aos pedidos. O presidente dos EUA, George W. Bush, sofre pressão do Congresso sobre o comércio com a China. Susan Schwab, representante comercial dos EUA, anunciou na segunda-feira que Washington pretendia ir à OMC, dizendo que a "proteção inadequada" de direitos de propriedade intelectual na China está custando bilhões de dólares por anos a empresas norte-americanas. A China criticou a atitude dos EUA, informando que está "fortemente insatisfeita". Segundo o porta-voz do Ministério do Comércio chinês, Wang Xinpei, a decisão afeta "seriamente a relação de cooperativismo entre os dois países nessa área e exercerá um efeito negativo no comércio bilateral".DéficitA medida dos EUA aparece no momento em que o Congresso do país manifesta irritação com o déficit comercial norte-americano com a China no ano passado, de US$ 232 bilhões. O número prejudica os esforços pela renovação da autoridade de promoção comercial, que a Casa Branca precisa para finalizar as negociações sobre a Rodada de Doha. Schwab disse que a ação não deve ser vista como hostil e negou que os dois países estejam em risco de entrar em uma guerra comercial. Os EUA continuam abertos a um acordo negociado sem passar pela OMC, que pode levar 18 meses, ou mais, acrescentou. A China costuma defender sua ação na luta contra a pirataria, dizendo ser um país em desenvolvimento e que precisa de tempo. Mas filmes e discos de música pirateados são vendidos abertamente em lojas e em esquinas da China, a preços que chegam a 1 dólar por cópia. Advogados do setor comercial em Genebra disseram duvidar que Washington arriscaria levantar um caso de teor político tão alto sem ter certeza de que venceria na OMC. Os EUA já reclamaram do que consideram subsídios industriais chineses ilegais e, junto com a União Européia, das supostas restrições chinesas a importações de peças de automóveis.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.