EUA aprovam legislação para se proteger contra a China

WASHINGTON

, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2010 | 00h00

Os deputados dos Estados Unidos aprovaram ontem, por 348 votos a 79, uma legislação que permitirá ao Departamento do Comércio americano estudar a aplicação de tarifas sobre bens importados, caso determine que as políticas cambiais do país de origem do produto equivalem a um subsídio.

A medida, claramente dirigida à China, ressalta a frustração dos congressistas com o que consideram um esforço de Pequim para manter o yuan, a moeda chinesa, artificialmente desvalorizada.

Com o desemprego nos Estados Unidos pairando perto de 10% a cerca de um mês das eleições que renovarão um terço do Senado e toda a Câmara dos Representantes, tanto republicanos quanto democratas afirmaram ser inaceitável o efeito que o yuan fraco tem sobre o setor exportador americano.

"Há muito tempo os chineses não estão jogando justamente na arena comercial internacional", afirmou o deputado democrata Jim McDermott, durante o debate sobre a medida.

Inaceitável. O deputado Dave Camp, principal autoridade republicana do Comitê de Meios e Recursos da Câmara, disse que o voto de ontem enviará uma mensagem para as autoridades chinesas e americanas de que a situação atual não é aceitável.

"A administração deve trabalhar para garantir que o assunto dos desequilíbrios globais - que naturalmente incluem a política cambial da China - esteja em destaque na agenda das reuniões do G-20 em novembro, em Seul'', afirmou Camp.

O governo Obama recusou-se repetidas vezes a comentar sobre as propostas legislativas para lidar com a questão da política cambial chinesa por causa de receios com os potenciais efeitos que o apoio a essas propostas teria sobre as negociações com Pequim.

Uma porta-voz do Departamento do Tesouro afirmou que a decisão da Câmara ressalta as "sérias preocupações" dos deputados e que, conforme defende a administração Obama, a "China precisa permitir uma valorização significativa e sustentada (do yuan)".

Apesar do amplo apoio encontrado na Câmara, é pouco provável que a medida se torne lei neste ano. Os críticos da China no Senado querem colocar uma proposta semelhante em votação quando os congressistas voltarem a Washington, após as eleições, mas a janela para a aprovação de leis é estreita. / DOW JONES NEWSWIRES

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