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EUA aprovam venda de salmão transgênico

Reguladores federais dos Estados Unidos aprovaram, na quinta-feira, um salmão geneticamente modificado como próprio para consumo, o que o torna o primeiro animal geneticamente alterado a ser liberado para os supermercados americanos e para a mesa dos consumidores.

Andrew Pollack, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2015 | 02h06

A aprovação pela Food and Drug Administration (FDA) encerra uma longa luta da AquaBounty Technologies, uma pequena empresa que pediu aprovação da FDA pela primeira vez nos anos 90. A agência divulgou sua resolução inicial de que o peixe seria seguro para consumo e para o meio ambiente mais de cinco anos atrás.

A aprovação do salmão enfrenta forte oposição de grupos de consumidores e de ambientalistas, que argumentam que os estudos sobre a segurança do peixe foram inadequados e que populações de salmão selvagem podem ser afetadas se o peixe modificado escapar para os oceanos e rios.

"Essa decisão lastimável e histórica negligencia a grande maioria dos consumidores, muitos cientistas independentes, vários membros do Congresso e produtores de salmão de todo o mundo, que expressaram forte oposição", declarou, em comunicado, Wenonah Hauter, diretora executiva da Food & Water Watch.

Poucas horas depois da divulgação da decisão da agência, na quinta-feira, um grupo de defesa do consumidor, o Center for Food Safety, disse que iria, juntamente com outras organizações, abrir um processo contestando a aprovação.

O salmão AquAdvantage, como é conhecido, é um salmão atlântico que foi geneticamente modificado para atingir o tamanho apropriado para comercialização na metade do tempo atingido pelo não modificado.

"O FDA analisou minuciosamente e avaliou os dados e informações apresentados pela AquaBounty no que diz respeito ao salmão AquAdvantage, e concluiu que o salmão atende às exigências regulatórias para a aprovação, o que indica que o peixe é seguro para servir como alimento", disse, em comunicado, Bernardete Dunham, diretora do Center for Veterinary Medicine (Centro para Medicina Veterinária) da agência.

Cautela. Funcionários do FDA disseram na quinta-feira que o processo levou muito tempo porque foi o primeiro desse tipo a ser aprovado. As pessoas envolvidas na solicitação suspeitam que o governo Barack Obama adiou a aprovação por cautela em relação a prováveis repercussões políticas.

Esses funcionários disseram que o peixe não terá de ser rotulado como geneticamente modificado, uma política coerente com a já adotada para alimentos vegetais geneticamente modificados. Porém, foi emitido um esboço de orientação segundo o qual as empresas podem rotular voluntariamente o salmão como geneticamente modificado ou rotular outros salmões como não geneticamente modificados.

Apesar da aprovação, ainda deve demorar pelo menos dois anos até que qualquer um desses peixes chegue aos supermercados e, em princípio, será em quantidades bem pequenas.

Ronald Stotish, CEO da AquaBounty, cujo sócio majoritário é a Intrexom Corporation, disse que estava satisfeito e até surpreso com a aprovação, depois de tanto tempo. "Não tivemos indícios de que a aprovação era iminente", disse. Stotish negou-se a dizer quais são os planos para levar o peixe ao mercado, já que o salmão não estará disponível imediatamente - levará cerca de dois anos para que o peixe atinja o tamanho para comercialização.

Também não é provável que haverá muito salmão para ser vendido, porque a instalação de produção da empresa, localizada no Panamá, tem capacidade de produzir apenas cerca de 100 toneladas ao ano, uma quantidade muito pequena comparada às mais de 200 mil toneladas de salmão atlântico que os EUA importam a cada ano.

O salmão AquAdvantage contém um gene do hormônio do crescimento do salmão Chinook e uma alteração do peixe-carneiro americano, uma criatura parecida com uma enguia, que mantém o gene transplantado continuamente ativo, enquanto o hormônio de crescimento do próprio salmão fica ativo apenas em alguns períodos do ano. A empresa disse que o peixe pode atingir o peso de comercialização em 18 a 20 meses, enquanto o salmão produzido convencionalmente precisa de um período entre 28 a 36 meses para chegar ao mesmo peso.

Segundo a empresa, o peixe deve ser criado em tanques em terra, para diminuir as chances de escapar para a natureza. / TRADUÇÃO DE PRISCILA ARONE

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