EUA aumentam participação na pauta de exportações brasileira

Mesmo com a desaceleração econômica a partir de 2001, os Estados Unidos estão ampliando sua participação na pauta de exportações brasileira. Segundo o Boletim Funcex de Comércio Exterior de fevereiro, entre 1999 e 2002, as exportações para os Estados Unidos cresceram 73,6% em valor e 42,4% em quantidade. Neste mesmo período, o crescimento das quantidades exportadas para a União Européia e o Japão foi de, respectivamente, 31,7% e 18,2%.Os setores em que as exportações para os Estados Unidos mais cresceram foram o de veículos automotores, onde a quantidade exportada aumentou 85 vezes a partir de uma base muito pequena, e equipamentos eletrônicos, com avanço de 291%. Somados, estes dois setores respondem por 13,5% do total das exportações brasileiras para os Estados Unidos.O Boletim da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) observa que novos mercados vêm ganhando importância para os produtos brasileiros como a China, cuja participação na pauta brasileira passou de 1,4% em 1999 para 4,2% em 2002, Europa Oriental (de 2,4% em 1999 para 4,2% em 2002), África (de 2,8% para 3,9%) e México (de 2,2% para 3,9%).ExportaçõesAs exportações podem fechar o mês em US$ 4,9 bilhões, se for mantido o ritmo das três primeiras semanas de fevereiro, diz o Boletim. Se esse resultado se confirmar, o total será maior que o do mês passado, quando as exportações chegaram a US$ 4,8 bilhões, com crescimento de 21% sobre janeiro de 2002.A Funcex observa que a possibilidade de fevereiro ter mais exportações que janeiro é um "fenômeno incomum dado que a sazonalidade é bem mais desfavorável no segundo mês do ano", além de ter menos dias. Do lado das importações, a média diária de US$ 174,5 milhões este ano até a terceira semana de fevereiro é praticamente igual à do mesmo período de 2002.Segundo a Funcex, isso indica uma tendência de crescimento das importações porque no primeiro semestre do ano passado o valor importado caiu entre 20% e 25% em relação a 2001. O Boletim destaca que o ritmo de expansão das exportações em janeiro e nas três primeiras semanas deste mês é similar ao observado no segundo semestre de 2002, em torno de 20% em relação ao mesmo período do ano passado.O crescimento das quantidades exportadas em janeiro, de 17,2% nas exportações totais, "foi realmente excepcional", segundo o Boletim. "O ritmo de crescimento do quantum das exportações totais desde meados de 2002 não tem paralelo no período pós-Plano Real", destaca o Boletim.PreçosOs preços dos produtos de exportação brasileiros em janeiro foram superiores em 3,3%, na média, aos de janeiro de 2002, também contribuindo para o aumento dos valores de vendas ao exterior este ano. O aumento dos preços foi maior entre os produtos semimanufaturados, que tiveram preços 10,4% em média mais elevados que em janeiro do ano passado.Os preços dos semimanufaturados de ferro e aço subiram 37% e os de óleo de soja em bruto aumentaram 54,4%, enquanto a celulose e o alumínio tiveram alta de, respectivamente, 2,9% e 2,3%. Nos produtos básicos, o ganho foi de 2,9%. Já nos manufaturados, o aumento de preços foi de 0,2%, considerado irrelevante pela Funcex.RenatabilidadeO índice de rentabilidade das exportações calculado pela Funcex caiu 3% em janeiro em relação a dezembro, mas acumula alta de 9,4% desde janeiro de 2002. "Curiosamente, o índice de janeiro último ficou praticamente igual ao observado em janeiro de 1999, primeiro mês em que se setiram os efeitos da flutuação da taxa de câmbio", diz o Boletim.O motivo principal para a queda do índice de rentabilidade das exportações em janeiro foi a valorização do real (já descontada a inflação) em 1,8% em relação à cesta de 13 moedas insternacionais usadas na pesquisa da Funcex. O real valorizou-se ante o dólar em 4,9%, ante o iene em 2,6%, e ante as moedas da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) em 1,7%.O real desvalorizou-se, no entanto, frente o euro em 1,8%, por conta da desvalorização do dólar em relação à moeda européia. Como o peso argentino valorizou-se 6,8% ante o dólar em janeiro, mais que o real, a moeda argentina também se valorizou na comparação com a brasileira.

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