EUA aumentam pressão sobre UBS

Banco suíço se recusa a abrir sigilo de 52 mil contas de americanos em investigação sobre sonegação fiscal

Agências internacionais, ZURIQUE, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2009 | 00h00

Um dia depois de o maior banco da Suíça, o UBS, concordar em pagar ao governo dos Estados Unidos uma multa de US$ 780 milhões e revelar os nomes de cerca de 250 de seus clientes ao fisco americano, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos pressiona para que o banco revele a identidade de 52 mil clientes americanos titulares de contas secretas ilegais. Em comunicado divulgado em Nova York, o UBS disse que o pedido dos EUA "envolve uma quantidade substancial de contas secretas de americanos no UBS da Suíça, cujas informações estão protegidas pelas leis do país".O UBS admitiu que alguns de seus funcionários ajudaram clientes americanos ricos a sonegar impostos por meio da criação de milhares de contas secretas. O UBS disse, contudo, que permanece comprometido em manter confidenciais informações de seus clientes, mas não deve proteger atos fraudulentos.Em julho de 2008, o ex-diretor do UBS, Bradley Birkenfeld, admitiu que ajudou cidadãos americanos a evitar o pagamento de mais de US$ 7 milhões em impostos ao esconder mais de US$ 200 milhões. De acordo com o Departamento de Justiça americano, Birkenfeld disse que mais de US$ 20 bilhões estavam depositados em contas de contribuintes americanos "não declaradas" no banco suíço. PRECEDENTE O acordo fechado entre o UBS e autoridades dos EUA cria um precedente desconfortável para as autoridades em todo o mundo relacionado às antigas leis de sigilo bancário da Suíça. Analistas dizem que o detalhe mais preocupante é que o UBS e as autoridades suíças curvaram-se à pressão americana, o que abre precedentes para que outras partes contestem a privacidade que o sistema bancário fornece a seus clientes.O ministro de Finanças Hans-Rudolf Merz, que também ocupa a presidência da Suíça, tentou passar tranquilidade a todos. Imperturbável, Merz informou aos jornalistas: "Damas e cavalheiros, o sigilo bancário continua intacto". "O caso não significa o fim do sigilo bancário na Suíça, mas mostra que o órgão regulador americano não é um tigre de papel", disse Seb Dovey, sócio-diretor da consultoria Scorpio Partnership. Isso deve estimular governos e organizações de outras partes do mundo, como a União Europeia (UE), em seus ataques contra Suíça e Liechtenstein, que compartilham leis bancárias parecidas e, por isso, são considerados por muitos um paraíso para a evasão de impostos. Ontem mesmo, a UE exigiu que a Suíça trate os pedidos europeus de levantamento de sigilo bancário da mesma forma que fez com Washington.

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