EUA avaliam futuro do abastecimento de energia no Brasil

O governo norte-americano alertou que o equilíbrio entre a oferta e demanda de energia no Brasil nas próximas décadas vai depender dos investimentos do setor privado. Em seu mais recente relatório sobre o setor energético brasileiro, divulgado nesta semana, a Energy Information Administration (EIA), unidade do Departamento de Energia dos Estados Unidos, afirma que a reação inicial ao novo modelo energético implementado pelo governo brasileiro no ano passado tem sido mista. "Muitas empresas privadas e estrangeiras encaram as novas regulamentações como uma consolidação pelo governo de seu controle sobre o setor de eletricidade do País, que é atualmente, pelo menos na parte de geração, dominado por estatais", disse. "Nos últimos anos, o setor de eletricidade brasileiro não tem sido o mercado mais lucrativo para os investidores privados, principalmente para as distribuidoras, muitas das quais não entraram em default em 2001 e 2002 e precisaram de uma ajuda massiva do governo para continuar operando." Segundo a EIA, diante da necessidade de investimentos de US$ 82 bilhões até 2020 apenas para manter o equilíbrio entre a oferta e a demanda, "o Brasil terá que contar com o setor privado". Setor petrolífero atrai pouco investimento estrangeiro A EIA afirma que apesar da abertura do setor petrolífero brasileiro para companhias privadas no final da década passada, ele tem atraído um fraco fluxo de investimentos estrangeiros. O estudo observa que a Royal Dutch Shell é a única empresa estrangeira com produção de petróleo no Brasil, operando um pequeno campo petrolífero na reserva de Campo. "Alguns analistas têm apontado os elevados impostos federais e estaduais sobre a produção de petróleo como o principal freio para o investimento, mas outras preocupações incluem os pobres resultados nas perfurações exploratórias e a falta de atratividade dos termos das licenças concedidas pela Agência Nacional de Petróleo", disse a EIA. Desde que abriu seu setor petrolífero em 1997, o Brasil realizou seis rodadas de concessão de licenças. A IEA observa que a quinta rodada, realizada em agosto de 2003, atraiu o interesse apenas da Petrobras. A sexta rodada, no ano passado, vendeu 154 blocos e levantou um volume recorde de dinheiro com as taxas de licença. "Entretanto, a maioria dos blocos promissores foi para a Petrobras", disse. "Além disso, a maioria dos principais investidores estrangeiros, como a Shell BP e EnCana evitam ter vínculos operacionais com as novas licenças, preferindo adquirir participações em projetos operados pela Petrobras." Em outubro deste ano a ANP pretende realizar a sua sétima rodada, oferecendo 1 134 áreas. O departamento de energia norte-americano atualiza periodicamente seu relatório sobre o setor energético brasileiro e de outros países. Ele observa que o Brasil é o 10º maior consumidor de energia no mundo e o terceiro no Hemisfério Ocidental, atrás dos Estados Unidos e Canadá. O consumo primário de energia no Brasil tem crescido substancialmente nos últimos anos. "O Brasil obteve grandes avanços ao longo da década passada no aumento de sua produção total de energia, particularmente em relação ao petróleo", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.