EUA barra pedido do Irã para incorporação à OMC

A administração do presidente George W. Bush barrou ontem o pedido do Irã para se incorporar à Organização Mundial do Comércio (OMC). Washington, sem dar explicações para seu veto, apenas se limitou a dizer que ainda não havia concluído a avaliação que está fazendo sobre Teerã. O Irã pede para iniciar negociações para a adesão à OMC desde 1996 e o veto americano já começa a irritar os demais membros da organização, que querem dar pelo menos uma oportunidade para que os debates sejam iniciados com os iranianos. Os europeus alertam que a adesão de um país à OMC não pode ocorrer com base em questões geopolíticas, mas critérios econômicos.Essa foi a 22ª vez na história da OMC que o pedido do Irã entrou na agenda do Conselho Geral da entidade. Para que uma negociação de adesão seja autorizada, todos os 148 países da OMC devem dar seu sinal verde.Em todas as ocasiões que a questão iraniana foi tratado, os americanos fizeram questão de impedir qualquer aprovação. Vários países ainda passaram a criticar a posição americana, entre eles o Uruguai e a China. Já o Brasil não se pronunciou. Os iranianos acreditavam que tinham chances de serem aceitos depois que concluíram com a Europa, no ano passado, um entendimento de que o país se comprometeria com algumas medidas no controle nuclear e no combate ao terrorismo. Em troca, os europeus apoiariam o pedido de Teerã para que o país se incorpore à OMC. Para deixar a situação ainda mais explícita, os americanos forçaram no ano passado para que a OMC aceitasse criar grupos de trabalho para iniciar as negociações para a adesão do Iraque e do Afeganistão, considerado por muitos como países ocupados. A iniciativa em relação ao Iraque e Afeganistão foi interpretada em Genebra como parte do plano americano para normalizar a presença dos dois países nas organizações multilaterais.

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