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EUA buscam maior abertura para negócios no Brasil

Negociadores norte-americanos buscam vitórias pequenas de curto prazo que possam dar vigor às relações entre os dois países

Reuters

29 de abril de 2011 | 15h02

Após a visita do presidente Barack Obama ao Brasil no mês passado, autoridades dos Estados Unidos tentam discretamente completar o que ele começou: a tarefa de abrir um dos mais promissores mercados emergentes do mundo, que continua cético em relação às questões comerciais de Washington.

Negociadores norte-americanos disseram que buscam vitórias pequenas de curto prazo que possam dar vigor às relações e ajudar a deixar para trás um passado de ambição por grandes tratados comerciais, estratégia que colapsou em meio a disputas por subsídios agrícolas e outras questões.

"Há muitos bloqueios e conflitos em questões não tão atraentes", disse Francisco Sanchez, subsecretário de Comércio dos EUA para comércio internacional, à Reuters. "Nós estamos tentando focar em áreas onde há um benefício imediato e mútuo."

Isso quer dizer principalmente infraestrutura, segundo ele. O Brasil deseja tecnologia e investimentos estrangeiros enquanto se prepara para receber a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O país encontra dificuldades para superar gargalos em portos, estradas e usinas elétricas que não acompanham a rápida expansão da classe média.

Sanchez disse que as principais oportunidades para as companhias dos EUA parecem estar no desenvolvimento de redes elétricas "inteligentes", em sistemas de segurança associados a eventos esportivos e na construção de novos aeroportos -- uma das prioridades mais urgentes da presidente Dilma Rousseff.

Ele também disse que o governo de Dilma quer a assistência dos EUA para ajudar empresas pequenas e médias brasileiras a aumentar as exportações. Isso significa oportunidades de crescimento para companhias de logística como UPS e Fedex, além de tecnologias que ajudem na aprovação aduaneira.

Por sua vez, o governo norte-americano pretende conceder mais financiamentos a empresas que exportarem para o Brasil, disse Fred Hochberg, diretor do Export-Import Bank dos EUA. Obama anunciou 1 bilhão de dólares em fundos no mês passado.

"Há muito mais de onde isso veio", disse Hochberg à Reuters. Ele chamou o Brasil de um mercado consumidor "virtualmente sem rivais" em termos do potencial para os próximos anos.

Ainda há ceticismo

Contudo, ainda não é claro se os EUA poderão explorar completamente este potencial. Os dois países continuam a quilômetros de distância na Rodada de Doha, onde uma discordância sobre quanto cortar as tarifas sobre bens manufaturados pode aniquilar as negociações, que já duram 10 anos.

Enquanto isso, a China superou os EUA como principal parceiro comercial e investidor do Brasil no ano passado.

Dados os problemas em Doha, Sanchez disse que os EUA também procuram oportunidades de comércio bilateral com o Brasil. O subsecretário fez elogios a Dilma, que tem sido mais receptiva a Washington em comércio e outros assuntos do que seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

"Eu fiquei muito impressionado com os primeiros 100 dias dela e ela é claramente muito proativa", disse Sanchez. O comércio "é do interesse de ambos e eu sei que tanto Obama como Rousseff realmente entendem isso."

Porém, o ceticismo continua alto entre autoridades brasileiras, que dizem que Washington continua indisposto a fazer concessões --como, por exemplo, reduzir barreiras ao etanol nacional-- para conseguir acesso ao mercado consumidor do Brasil.

"Havia um certo dogma (antiamericano) com Lula e isso acabou agora", disse uma autoridade brasileira à Reuters em condição de anonimato. "A visita de Obama correu bem ... Mas nós vamos ter que ver algumas concessões para avançarmos."

Tanto companhias brasileiras quanto as norte-americanas pressionam por um acordo. Na edição latinoamericana do Fórum Econômico Mundial, no Rio de Janeiro, em que Hochberg e Sanchez participaram como líderes empresariais, as discussões se concentraram principalmente em como expandir o comércio.

Uma lista parcial dos participantes do fórum sugeriu que as companhias dos EUA continuam muito mais enraizadas na América Latina do que as da China, que se concentram mais em comprar commodities. A lista mostrava 27 representantes dos EUA, incluindo o diretor-executivo do Citigroup, Vikram Pandit, comparados a apenas três delegados da China.

"Nós estamos no mesmo continente, no mesmo fuso horário. Nós temos muito em comum", disse Frederico Fleury Curado, presidente-executivo da Embraer, durante um dos debates. "Todavia, nós continuamos a brigar sobre impostos de suco de laranja, subsídios de algodão e outras questões." "Nós temos que fazer mais progresso."

(por Brian Winter)

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