EUA, China e Índia trocam acusações na OMC

Para diretor-geral da OMC, acordo está próximo, mas questões importantes ainda precisam ser solucionadas

DEISE VIEIRA, Agencia Estado

28 de julho de 2008 | 08h55

O início da segunda semana de negociações da Rodada Doha de comércio multilateral, da Organização Mundial do Comércio (OMC), foi marcado pela troca de acusações entre Estados Unidos, China e Índia. Nesta segunda-feira, 28, o governo de Washington acusou os dois países emergentes de impedirem o progresso para um acordo comercial global, segundo diplomatas. "O jogo de colocar a culpa um no outro começou. Os EUA começaram a apontar seus dedos para a China, e então a China replicou rispidamente", afirmou um dos diplomatas.   Veja também: Rodada Doha: entenda o que está em jogo em Genebra China endurece posição e vira nova ameaça a um acordo na OMC Posição do Brasil na OMC é vista como 'traição', diz jornal Amorim nega mal-estar com Argentina na Rodada Doha Lula nega 'traição' a G-20 na OMC e diz que diferenças existem   Ao mesmo tempo, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, afirmou que as discussões para concluir a Rodada Doha estavam "próximas de seu fim", mas que ainda persistiam algumas questões importantes na mesa de negociação, de acordo com um porta-voz de Lamy.Os EUA acusam a Índia e a China de ameaçarem prejudicar um frágil acordo alcançado pelos principais países reunidos em Genebra desde o começo da semana passada para tentar concluir a Rodada Doha, iniciada há sete anos. "Todas os seus pedidos por desenvolvimento nos últimos anos parecem vazios quando esses países importantes ameaçam os benefícios para o desenvolvimento que já estão na mesa, e que são completamente vitais para a grande maioria dos membros da OMC", disse o diplomata americano David Shark.O embaixador indiano, Ujal Singh Bhatia, respondeu que a acusação dos EUA é "injusta". Segundo o negociador indiano Amarendra Khatua, os EUA fizeram tais declarações apenas porque "não estavam alcançando seus objetivos". Já o ministro do Comércio da Austrália, Simon Crean, afirmou que os países estão sendo muito pacientes, e que um certo grau de frustração é compreensível. "É normal haver frustrações em qualquer negociação, então temos que superá-las e não perder os objetivos de vista", disse ele, acrescentando que os países membros da OMC estão "tão perto" de um acordo, que é preciso tentar conclui-lo.     Resistência francesa   A França não irá assinar propostas para um acordo comercial nas discussões da Organização Mundial do Comércio (OMC) porque elas não mostram progresso em assuntos "essenciais", afirmou nesta segunda o governo francês.   "Hoje, o governo considera que o projeto que está na mesa não é aceitável sob o formato atual, pois não mostra avanço em elementos que são essenciais do nosso ponto de vista", afirmou o porta-voz do governo Luc Chatel. Na semana passada, o próprio presidente francês, Nicolas Sarkozy, havia afirmado que a França não assinaria o acordo sem ser modificado.   Ele mencionou a "proteção de indicações de origem geográfica" - regras de origem -, em uma referência a questões como rotulagem de vinho, e "defesa dos interesses industriais europeus em relação aos mercados emergentes".   O governo ressaltou que a "França está mais do que nunca vinculada à promoção dos países mais pobres." Mas destacou que "se a Europa quiser ser uma força nesse respeito, também precisa garantir a proteção dos interesses europeus com grande vigilância e sem ser ingênua, principalmente em relação aos países emergentes". As informações são da Dow Jones.   (com agências internacionais)

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