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EUA cobram da OMC declarações incisivas pró-Rodada Doha

Para representante comercial, países estão dispostos a desistir das negociações

Agencia Estado

04 de julho de 2007 | 17h18

Paralisadas, as negociações comerciais globais se encaminham para um "profundo problema" e podem levar os países a assinarem acordos comerciais individuais, disseram os EUA nesta quarta-feira, 4. Muitos países estão dispostos a desistir da chamada Rodada Doha de negociações globais caso não surjam novas propostas ambiciosas para a abertura de mercados agrícolas e industriais, disse a representante comercial dos EUA, Susan Schwab. Novos textos-base estão sendo redigidos em Genebra, onde fica a sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), na esperança de retomar a Rodada Doha, praticamente abandonada depois do colapso das discussões de junho na Alemanha reunindo EUA, Brasil, Índia e União Européia. "Acredito que, se forem textos de baixa ambição, estamos com um profundo problema em termos da Rodada Doha", disse Schwab a jornalistas em Cairns, onde participa de uma reunião com ministros de Comércio dos 21 países do grupo Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec). "Se o nível de ambição for insuficiente, acho que muitos países vão dizer: ´Ei, é melhor eu negociar meus acordos bilaterais e regionais´", afirmou. Os grupos de negociação da OMC devem divulgar dentro de duas semanas os novos textos sobre indústria e agricultura. As declarações de Schwab devem ampliar a pressão para que a OMC continue tentando convencer grandes países em desenvolvimento, como Brasil e Índia, a abrirem seus mercados agrícolas e industriais. A Rodada Doha das negociações globais foi lançada há seis anos, com estimativas de que poderia injetar US$ 300 bilhões na economia mundial e tirar milhões de pessoas da pobreza. Schwab disse que os EUA vão continuar comprometidos com a negociação global. "Estamos preparados para fazer a contribuição que precisamos fazer para ajudar a obter um resultado bem-sucedido e ambicioso", afirmou. De acordo com ela, a reunião da Apec, primeiro grande encontro de ministros desde o colapso do G-4 na Alemanha, pode representar uma contribuição importante para a retomada da Rodada Doha. A reunião também vai discutir formas de desenvolver uma zona de livre-comércio na Ásia e no Pacifico, já como prevenção a um eventual fracasso da Rodada Doha. Os países da Apec representam mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e cerca de 50% do comércio. Schwab disse que a reunião da Apec vai discutir formas de unificar vários pactos regionais e bilaterais e pode levar à criação de um grupo de países economicamente mais liberais que fariam a "exploração" para um acordo maior. "Faria um enorme sentido ver um acordo comercial de integração econômica que abrangesse toda a Ásia-Pacífico."

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