Shawn Thew/EFE - 9/5/2019
Shawn Thew/EFE - 9/5/2019

EUA começam processo para ampliar tarifas sobre mais US$ 325 bi em produtos da China

Donald Trump já aumentou de 10% para 25% as tarifas sobre outros US$ 200 bilhões em itens comprados dos chineses; negociação comercial será retomada nesta sexta

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2019 | 08h42

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu na manhã desta sexta-feira, 10, sua estratégia de impor mais tarifas à China e informou que já começou o processo para a imposição de ainda mais tarifas sobre produtos da nação asiática. Ao mesmo tempo, disse que o diálogo bilateral "muito agradável" continua, embora sem mostrar pressa sobre a possibilidade de um acordo.

"Começou o processo sobre a imposição de tarifas adicionais de 25% sobre os US$ 325 bilhões restantes" para os produtos chineses, afirmou Trump no Twitter. A declaração é dada horas após a entrada em vigor do aumento tarifário de 10% para 25% sobre US$ 200 bilhões em produtos da China, diante das dificuldades da negociação bilateral.

Minutos após uma série de mensagens no Twitter em que dizia "não ter pressa" nas negociações com a China e que já estava em andamento o processo para impor tarifas sobre mais US$ 325 bilhões em produtos chineses, o presidente americano chegou a voltar atrás e apagar as mensagens. Em seguida, porém, publicou novamente as declarações e postou uma defesa de sua estratégia no assunto.

Nas mensagens,  Trump diz que as conversas com Pequim correm bem, mas que não há "absolutamente nenhuma" necessidade de haver pressa, com o argumento de que o Tesouro americano conseguirá grandes somas com essa tarifa extra para os chineses.

Além de repetir os tuítes anteriores, o presidente dos EUA argumentou que as tarifas trarão "muito mais" riqueza ao país do que mesmo um acordo "fenomenal" faria. Além disso, são muito mais fáceis e rápidas, comentou. Ele ainda garantiu que as tarifas tornarão os EUA "muito mais fortes" e que Pequim não terá a oportunidade de renegociar o acordo no último minuto.

Trump também disse que os EUA comprarão mais produtos agrícolas de fazendeiros locais, "em montantes maiores do que a China fez em qualquer momento", e enviarão alimentos a países pobres como ajuda humanitária. "No meio tempo nós continuaremos a negociar com a China, com a esperança de que eles não tentem de novo refazer o acordo!", afirmou.

Anteriormente, Trump havia reclamado da postura de Pequim, que teria recuado sobre pontos já decididos nas negociações, o que motivou o anúncio feito por ele no último domingo sobre a elevação na tarifa sobre US$ 200 bilhões a partir desta sexta-feira.

Em sua série de mensagens de hoje, Trump afirmou que, caso os EUA comprem US$ 15 bilhões dos fazendeiros locais, "bem mais do que a China compra agora", isso deixará ainda mais US$ 85 bilhões disponíveis para gastos com infraestrutura, cuidados com saúde e outros itens. "A China iria desacelerar grandemente e nós automaticamente aceleraríamos" nosso crescimento, escreveu o presidente americano.

Nesta sexta-feira, continuam as negociações bilaterais em Washington sobre comércio, com a presença do vice-premiê chinês Liu He.

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