EUA comparam Brasil e Índia a adolescentes na OMC

A Casa Branca comparou o Brasil e a Índia na Rodada Doha a "adolescentes" que acabam de tirar a carteira de motorista. Os comentários foram feitos ontem à noite pela representante do governo norte-americano para o Comércio, Susan Schwab, em uma palestra no Conselho de Exportadores da Presidência. A americana se referia ao fato de o Brasil e Índia terem conseguido fazer parte das decisões sobre o futuro da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que, portanto, agora precisariam ter atitudes responsáveis."Esses países estão agora na mesa principal (das negociações)", afirmou Schwab. "E estão descobrindo que com isso vem a responsabilidade e obrigações. E também que às vezes é difícil estar na mesa principal em uma sala pequena onde também se espera de um país que contribua e não apenas peça", disse. Para ela, isso seria equivalente "aos anos mais avançados da adolescência quando há responsabilidades que são dadas quando se tira uma carteira de motorista".A crítica de Schwab se refere à resistência dos países emergentes em abrirem seus mercados para os produtos industriais dos países ricos. Enquanto isso, esses mesmos países emergentes insistem por uma liberalização dos mercados agrícolas e alegam que a Rodada Doha apenas foi lançada com o objetivo de corrigir as distorções no setor agrícola. Mas para Washington e Bruxelas, um acordo de redução de subsídios agrícolas ou cortes de barreiras somente poderá ser fechado quando os países emergentes aceitarem "pagar" com a abertura de seus mercados para bens industriais.Hoje, em Genebra, americanos, europeus e japoneses ainda apresentaram à OMC um documento pedindo que as exigências feitas aos países emergentes pelos mediadores da Rodada Doha - de cortes de mais de 66% - sejam mantidos e que os próximos rascunhos de um acordo não sejam flexibilizados para atender à pressão das economias em desenvolvimento. Brasil, Índia e Argentina aceitam um corte de no máximo 50% de suas tarifas de importação.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.