EUA crescem mais no 2º trimestre, mas ainda não é hora de comemorar

PIB avançou 1,7% no período, mas o crescimento no 1º tri foi revisado para 1,1%, e o governo agora diz que a economia mal cresceu no fim de 2012

Andréia Lago, da Agência Estado,

31 de julho de 2013 | 12h33

NOVA YORK - A economia americana cresceu a uma taxa de 1,7% no segundo trimestre, um resultado melhor do que os primeiros três meses deste ano, mas apenas porque o governo revisou para baixo sua estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, de 1,8% para 1,1%. Economistas ainda estão digerindo os dados divulgados pelo Departamento do Comércio dos EUA, mas já é possível fazer algumas leituras iniciais.

A primeira é que as aparências podem ser decepcionantes. O crescimento ao ritmo de 1,7% no segundo trimestre é substancialmente melhor do que a taxa de 1% prevista por economistas, e bem maior do que a maioria das estimativas pessimistas. Aqueles que temiam que a recuperação da economia americana estivesse estagnada podem respirar aliviados. Mas o relatório do PIB divulgado hoje faz, na verdade, com que a recuperação pareça pior, pelo menos no passado recente. O crescimento no primeiro trimestre, que economistas chegaram a prever em torno de 3%, foi revisado para apenas 1,1%, e o governo agora diz que a economia mal cresceu no fim de 2012. A visão cor-de-rosa é que a taxa de crescimento da economia agora acelerou por dois trimestres seguidos, mas isso se baseia em uma base mais baixa do que se acreditava anteriormente, e 1,7% não é a visão de crescimento rápido para ninguém.

A segunda é que há informações mistas nos detalhes. Os consumidores, que impulsionaram a recuperação nos últimos trimestres, desaceleraram um pouco os gastos no segundo trimestre, mas o setor empresarial, que tem se mostrado letárgico, teve um desempenho melhor do que o esperado, já que os investimentos em equipamentos cresceram a uma taxa de 4,1% e o investimento em estruturas cresceu a uma taxa de 6,8% após registrar contração acentuada no começo do ano. As exportações também aceleraram, um sinal de que a fraqueza no exterior ainda não atingiu os negócios dos EUA, e o mercado imobiliário continuou sua performance recente de forte recuperação, com os gastos com obras residenciais crescendo ao ritmo de 13,4%.

A terceira leitura que já se pode fazer dos dados do PIB é que o governo é uma draga. O setor público registrou contração pelo terceiro trimestre consecutivo e pela décima vez nos últimos 12 trimestres. Isso não chega a ser uma surpresa devido aos cortes automáticos de gastos federais acionados no começo deste ano e que começaram a surtir efeito no segundo trimestre. O ritmo da contração, entretanto, desacelerou, e se for evitada a chamada paralisação do governo ou outro drama de Washington, o impacto fiscal deverá diminuir até o fim do ano. Os gastos dos governos estaduais e locais, entretanto, cresceram ligeiramente pela primeira vez em mais de um ano, outra evidência de que os governos locais começam a se recuperar.

Outra leitura dos números do PIB do segundo trimestre é que a inflação continua sob controle. O crescimento melhor do que o esperado no segundo trimestre provavelmente vai alimentar a especulação de que o Federal Reserve começará a desmontar seu programa de compra de bônus na reunião de setembro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Mas se o Fed fizer isso, provavelmente não será devido aos temores de aceleração da inflação. A medida preferida de inflação do Fed, o índice de preços dos gastos com consumo, mostrou um aumento de 1,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Ao excluir preços de alimentos e energia, o índice teve alta de 1,2%.

Por último, o resultado permite dizer que o longo prazo parece melhor para o crescimento da economia americana. Além das revisões de rotina nos indicadores mais recentes, o Departamento do Comércio também divulgou uma grande revisão no padrão em relação aos dados dos anos anteriores. Se a atualização dos indicadores mais recentes for desapontadora, as mudanças no prazo mais longo tornam, na verdade, o quadro mais animador. A economia cresceu 2,8% no ano passado, melhor do que a taxa anteriormente apurada, de 2,2%, e os anos anteriores da recuperação também parecem geralmente melhores, embora esta ainda pareça ser a pior recuperação desde a Segunda Guerra Mundial.

As mudanças também servem como um lembrete: os dados do segundo trimestre divulgados hoje eram preliminares, e serão revisados pelo menos duas vezes nos próximos meses. Alguns economistas já estão apontando para um grande aumento inesperado nos estoques, o que contradiz os dados mensais, para sugerir que a estimativa inicial poderá ser revisada para baixo. Fonte: Dow Jones Newswires.

Tudo o que sabemos sobre:
eua

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.