EUA crescem, mas em ritmo ''anêmico''

Crescimento do PIB de 2% no terceiro trimestre veio dentro do esperado pelo mercado, mas é considerado insuficiente para reduzir o desemprego

, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

O crescimento econômico dos Estados Unidos veio como esperado no terceiro trimestre, mas não o suficiente para aliviar o elevado desemprego ou mudar a perspectiva de mais flexibilização da política monetária adotada pelo Federal Reserve.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA cresceu a uma taxa anual de 2%, puxado pelos gastos dos consumidores, que avançaram no ritmo mais rápido desde 2006, informou ontem o Departamento de Comércio.

Embora os gastos dos consumidores e o investimento das empresas tenham continuado a se expandir, a maior parte do aumento da demanda foi atendida pela produção no exterior. Já os bens domésticos continuaram a se acumular, o que indica um crescimento fraco no quarto trimestre.

"A economia está se recuperando, mas num ritmo anêmico, e isso certamente vai ajudar o Fed em suas deliberações (na semana que vem)", disse Hugh Johnson, chefe de investimentos da Hugh Johnson Advisors.

A economia dos EUA freou no segundo trimestre, quando o crescimento do PIB desacelerou para 1,7 %, e o avanço do terceiro trimestre veio dentro das expectativas dos economistas do mercado.

O relatório do PIB, que mostrou a inflação no segundo menor nível desde 1962, reforçou as expectativas do mercado de que o Fed anunciará uma segunda rodada de compras de títulos, na reunião da semana que vem, para empurrar as taxas de juro para baixo e, dessa maneira, dinamizar a recuperação e afastar as pressões deflacionárias.

A expectativa é que o Fed anuncie a compra de títulos de cerca de US$ 100 bilhões por mês.

A economia norte-americana está experimentando uma recuperação lenta para os padrões históricos, com o desemprego em 9,6% e os cidadãos cada vez mais preocupados com o futuro. Isso pode gerar mudanças no cenário político nas eleições parlamentares de terça-feira. O resultado pode soar como um plebiscito sobre o desempenho do presidente Barack Obama. A aposta é que o partido Democrata, de Obama, sofra grandes perdas em vários Estados.

Consumo. Economistas dizem que um ritmo de crescimento de pelo menos 3,5%, impulsionado pelo consumo interno sólido e exportações ao longo de vários trimestres, será necessário para reduzir o desemprego.

O avanço nos gastos do consumidor deu à economia um fôlego no terceiro trimestre. Os gastos dos americanos, que representam 70% de atividade econômica dos EUA, aumentaram a uma taxa de 2,6%, depois da alta de 2,2% no período anterior.

O crescimento do terceiro trimestre foi o maior desde o quarto trimestre de 2006 e acrescentou 1,79% à alta do PIB.

O desempenho do PIB foi apoiado também pelo aumento de US$ 115,5 bilhões nos estoques empresariais, após um avanço de US$ 68,8 bilhões no segundo trimestre. Os estoques adicionaram 1,44% para o crescimento.

A acumulação de estoques indica um PIB mais lento, apesar de um dado sobre a atividade manufatureira na região Centro-Oeste dos EUA ter mostrado aumento de produção.

O relatório sobre o PIB também indicou que os gastos das empresas continuaram a crescer no trimestre, mas o ritmo desacelerou a partir do período anterior, com moderação notável do investimento em equipamentos e software.

O crescimento foi amortecido pelas importações, que superaram as exportações. O relatório do PIB mostrou ainda que o índice de preços do consumo pessoal de despesas, excluindo alimentos e energia, subiu a uma taxa anual de 0,8 % no terceiro trimestre. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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