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EUA criaram mais vagas que o Brasil no 1º trimestre

Foram 535 mil empregos ante 442.608, o primeiro trimestre em que os EUA superam o Brasil desde setembro de 2008

IURI DANTAS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2012 | 03h06

As empresas dos Estados Unidos, berço da crise financeira internacional, criaram no primeiro trimestre deste ano um número de empregos maior do que as concorrentes brasileiras foram capazes de gerar no mesmo período. De janeiro a março, a terra de Barack Obama criou 635 mil vagas, ante 442.608 no país governado por Dilma Rousseff.

É o primeiro trimestre em que as vagas americanas superam as brasileiras, desde a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, em setembro de 2008. Mas os números refletem comportamentos distintos das economias. Enquanto os americanos parecem se recuperar do baque iniciado com a quebra do Lehman, a economia brasileira enfrenta gargalos, como falta de trabalhadores qualificados e dificuldades da indústria nacional, por causa do câmbio valorizado.

Outro indicativo do desempenho das duas economias apareceu na revisão das estimativas de crescimento dos dois países, feita na semana passada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Os técnicos do fundo elevaram em 0,3 ponto porcentual, de 1,8% para 2,1%, a previsão de crescimento da economia dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a revisão do PIB brasileiro cresceu somente 0,1 ponto porcentual, para 3%.

"Continuamos gerando empregos em um bom nível, mesmo comparando com um PIB que é seis vezes o tamanho do nosso, com uma população economicamente ativa 60% maior", analisou o diretor de Empregos e Salários do Ministério do Trabalho, Rodolfo Torelly. "Temos quase meio milhão de empregos gerados, ainda estamos tendo um ciclo virtuoso no mercado de trabalho."

Câmbio. Desde 2008, o Fed (banco central americano) tenta estimular a maior economia do planeta por meio de operações que enfraquecem o valor do dólar, tornando seus produtos mais baratos no mercado global. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, classificou essa atuação de "guerra cambial". Em março, a indústria manufatureira perdeu 5 mil vagas, no Brasil, enquanto a americana criou 37 mil.

"Já que o governo não consegue desvalorizar o real, está ajudando a indústria", avaliou João Saboia, professor titular de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Mas, enquanto não há resultado das medidas, a indústria vai continuar com dificuldades de gerar empregos." A situação de pleno emprego em algumas regiões como Belo Horizonte e Porto Alegre limita a criação de vagas, segundo Carlos Alberto Ramos, professor do departamento de economia da Universidade de Brasília (UnB).

"Se o Brasil crescer mais, vai encontrar limitação na oferta, porque não tem trabalhadores, o que pode aumentar os salários, pressionar a inflação e levar o Banco Central a aumentar os juros", afirmou. "Em termos setoriais, da indústria, é um problema, mas em termos sociais não está se refletindo na taxa de desemprego, que ainda está muito baixa." De fato, enquanto Obama precisa encarar uma taxa de desemprego de 8,2%, registrada em março, a presidente Dilma administra desocupação de apenas 5,7% no Brasil.

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