EUA criticam decisão do Brasil de recorrer à OMC

Os Estados Unidos fazem duras críticas contra a iniciativa do Brasil de questionar na Organização Mundial do Comércio (OMC) os subsídios que o governo norte-americano dá a seus produtores de algodão. Em entrevista ao Estado, o principal negociador agrícola de Washington, Allan Johnson, acusou o Brasil de ter "pego de surpresa" os Estados Unidos ao recorrer à OMC, sem que antes houvesse dado tempo para que a Casa Branca desse uma resposta às queixas do País. O Itamaraty, porém, tem outra versão sobre o caso.Johnson se refere à iniciativa tomada no ano passado pelo Brasil de se reunir com representantes da Casa Branca para debater sua política de apoio aos produtores de algodão. O negociador afirma que o Brasil havia feito perguntas e que os norte-americanos estavam ainda preparando as respostas quando o Itamaraty decidiu ir à OMC. "Parece que o Brasil se antecipou às nossas explicações e partiu para um painel (comitê de arbitragem) na OMC. Agora nos defenderemos como fazemos em todos os outros casos", diz Johnson.O negociador afirma que diante do comportamento do Brasil seria difícil encontrar uma forma para que o caso seja solucionado de forma pacífica. Mas os diplomatas brasileiros que cuidam da disputa têm outra versão sobre o caso. Segundo eles, o Brasil esperou por várias semanas as respostas, que nunca foram dadas. "Não iríamos esperar para sempre, enquanto os prejuizos se acumulam", afirma um experiente diplomata do Itamaraty.O governo brasileiro acusa os Estados Unidos de darem subsídios a seus produtores de algodão que prejudicam as exportações nacionais. Com a ajuda da Casa Branca, o produto norte-americano desloca o algodão brasileiro no mercado internacional, gerando danos financeiros de US$ 1 bilhão por ano. Na semana passada, o Brasil levou o caso à OMC, mas os Estados Unidos impediram a criação do painel. O Itaramaty repetirá a iniciativa no próximo dia 18.

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