EUA declaram apoio a Brasil, mas dólar dispara

Uma boa notícia para o mercado brasileiro, ou potencialmente boa, veio agora na tarde desta terça-feora com declarações do governo norte-americano. A Casa Branca disse, através do seu porta-voz, que apóia uma assistência financeira ao Brasil, que tem "grande confiança" no País e em sua equipe econômica e que a política econômica brasileira é sólida. Outro ponto de tensão é a indefinição sobre a continuidade da política de venda diária de cotas preestabelecidas de dólares no mercado. Agora à tarde o governo divulga se a venda de US$ 1,5 bilhão programada para julho terá continuidade em agosto, e se será modificada. Os mercados estão muito tensos, pois a demanda por dólares é muito alta.Se as declarações do governo dos EUA forem, mais do que uma forma de consertar o estrago feito ontem pelas declarações do secretário Paul O´Neill, um sinal verde dos EUA para o Fundo Monetário Internacional (FMI) ajudar o Brasil, as expectativas podem melhorar. Mas se for apenas retórica para amaciar o constrangimento diplomático, o mercado brasileiro terá pouco a comemorar. A questão é qual a leitura vai prevalecer com a volta dos operadores do almoço, daqui a pouco.Durante a maior parte do dia, juros, dólar e Bolsa dispararam sem se sensibilizar. com a notícia de que uma missão brasileira está indo aos Estados Unidos para negociar um acordo com o FMI. Logo na pré-abertura dos negócios, o ceticismo com as perspectivas de um acordo com o FMI era dominante. Mesmo quem acha o acordo possível considera mais provável que a ajuda do Fundo seja pequena. É praticamente descartada a possibilidade de um grande acordo, nos moldes do assinado pela Coréia do Sul em 1998. Na época, a Coréia estava enfrentando uma crise cambial e, assim como o Brasil de hoje, estava a poucos meses das eleições. O FMI emprestou US$ 50 bilhões, mas os candidatos a presidente, inclusive os de oposição, assinaram o acordo e se comprometeram com princípios mínimos na área econômica.No Brasil, porém, a maioria dos candidatos já tem anunciado que não assina acordo com o Fundo antes da eleição. Por isto, a expectativa é de que saia um acordo menor, assinado com o FMI para ajudar o governo a conduzir a economia até as eleições ou até o final do ano. No entanto, alguns operadores admitem que, dependendo dos sinais emitidos pelo governo e pelo Fundo, a pressão no câmbio e nos juros pode ser amenizada. MercadosÀs 15h15, o dólar comercial estava sendo vendido a R$ 3,2700; em alta de 2,51% em relação às últimas operações de ontem. Ao longo do dia, o valor mínimo negociado foi de R$ 3,2150 e o máximo, de R$ 3,3000. Com o resultado apurado agora, o dólar acumula uma alta de 41,62% no ano e de 16,31% em julho.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagavam taxas de 25,700% ao ano, frente a 25,430% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 apresentam taxas de 30,100% ao ano, frente a 30,000% ao ano negociados ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta de 1,18% em 9349 pontos e volume de negócios de cerca de R$ 626 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma alta de 31,24% em 2002 e de 16,19% só em julho. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, 17 apresentaram baixa. O principal destaque são os papéis da AES Tietê PN (preferenciais, sem direito a voto), com alta de 18,18%.Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - apresenta queda de 0,60% (a 8659,8 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - sobe 0,43% (a 1341 pontos). O euro opera em alta de 0,26%; sendo negociado a US$ 0,9842. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, em alta de 0,47% (357,51 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.