EUA 'decretam'fim da recessão: junho de 2009

Para órgão responsável pela avaliação dos ciclos do país, recuperação americana começou nessa data

Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE/ WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

Desde junho de 2009, os Estados Unidos não vivem um ambiente econômico recessivo. O quadro iniciado nesse ano foi o de recuperação.

Essa conclusão faz parte de uma declaração do Escritório Nacional de Pesquisa Econômica (NBER), órgão responsável pela avaliação dos ciclos do país, divulgada ontem. Por essa definição, qualquer novo movimento de queda na atividade econômica americana não será considerado oficialmente continuação da recessão iniciada em dezembro de 2007, cujos efeitos acabaram em junho de 2009.

A divulgação do conceito do NBER coincidiu com o anúncio do relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre a economia americana, que prevê crescimento de 2,6% em 2010. O texto da OCDE adverte que a reativação da atividade será acompanhada por uma taxa de desemprego acima da registrada no período anterior à crise - que custará muito tempo para ser reduzida. Em agosto, o desemprego atingiu 9,6% da População Economicamente Ativa.

"Está se tornando cada vez mais claro que a economia entrou em um caminho mais tranquilo, o que é consistente com as recuperações anteriores", afirmou o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, em Nova York. "Não vemos o risco de um novo mergulho na recessão. Mas nós tampouco vemos uma recuperação suficientemente forte para derrubar o desemprego."

Equipe. Em debate aberto com o público, transmitido ontem pela rede de TV CNBC, Obama sinalizou possíveis mudanças na equipe econômica, que tem como principais expoentes o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e o conselheiro econômico, Larry Summers. "Não tomei nenhuma determinação sobre meu pessoal. Eu acho que o Larry Summers e o Tim Geithner fizeram um trabalho excepcional, assim como toda a equipe econômica. Foi duro. Eles estiveram nisso por dois anos e, você sabe, eles estão tomando todo tipo de decisão sobre família, que será um fator a ser considerado."

Como nova iniciativa para reduzir o desemprego, Obama mencionou a possibilidade de redução de tributos sobre a folha de pagamento. Também anunciou que vai retomar sua proposta de elevação de impostos sobre fundos de hedge e sobre a administração de private-equity (compra de empresas para reestruturação e posterior venda).

Essas medidas, entretanto, somam-se aos três pacotes já lançados neste ano pela Casa Branca para dar maior impulso à recuperação econômica. Assim como essas novas medidas, todos os três - infraestrutura, exportação e redução de tributos para a classe média - dependem do Congresso e são considerados de média ou longa maturação.

O NBER, entretanto, se esquivou de dar um parecer sobre o período posterior a junho de 2009. "O comitê somente determinou que a recessão acabou e que a recuperação começou naquele mês."

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