EUA devem concentrar negociações na Alca, diz embaixadora

A embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, afirmou que seu país pretende concentrar suas conversas sobre abertura comercial com o governo brasileiro ao âmbito multilateral, em especial nas negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Hrinak acrescentou que não há nenhuma discussão em curso com o Brasil sobre um acordo bilateral para cobrir as áreas de comércio e de investimentos ou a intenção, nesse momento, de os Estados Unidos tratarem desse tema com o próximo governo brasileiro."Por agora, estamos falando do acordo multilateral, em especial do acordo da Alca", afirmou a embaixadora, ao ser questionada sobre a possibilidade de uma negociação bilateral no último bimestre do ano.Segundo Hrinak, o novo ajuste na orientação da política externa americana, que tende a retomar a prioridade de suas relações com a América Latina, terá na Alca o seu principal foco de ação. Nesse sentido, ela indicou que não caberá à equipe do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas à do seu sucessor, tratar com os Estados Unidos da forma como os dois países irão, juntos, liderar a Alca a partir de novembro e até a sua etapa final. A embaixadora, entretanto, esquivou-se de responder se a eleição de um candidato à Presidência reticente à Alca, como o petista Luiz Inácio Lula da Silva, poderá criar novos obstáculos a esse processo. "A idéia é de integração hemisférica. Como vamos liderar esta integração seria um assunto para falar com o novo governo do Brasil", afirmou Hrinak. "A decisão sobre o próximo presidente é do povo brasileiro." O rumo que o novo presidente brasileiro dará à Alca não é a única incógnita em torno desse processo de negociação. A posição que será defendida pelo Brasil também é tema de um debate interno nos meios empresariais e diplomáticos. Em especial, depois da aprovação do Trade Promotion Authority (TPA), o mandato que permite ao Executivo americano fechar acordos comerciais sem o risco de vê-los alterados posteriormente pelo Congresso. No próximo dia 6, o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, deverá se encontrar a portas fechadas com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) justamente para tratar dos pontos obscuros desse acordo.

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