EUA devem evitar ’abismo fiscal’, diz alerta da OCDE

Segundo a organização, os EUA precisam lidar com a questão do déficit fiscal sem recorrer a duras medidas de austeridade

Sergio Caldas, da Agência Estado ,

27 de novembro de 2012 | 10h35

WASHINGTON - Os EUA precisam lidar com a questão do déficit fiscal de forma gradual, evitando duras medidas de austeridade como o "abismo fiscal", que pode tirar sua economia dos trilhos, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A expressão "abismo fiscal" refere-se a uma série de aumentos de impostos e cortes de gastos que entrarão em vigor em 1º de janeiro se o governo norte-americano e o Congresso não chegarem a um acordo sobre o assunto.

O documento, que faz uma análise da perspectiva econômica mundial, sugere que a economia dos EUA está se recuperando num ritmo comedido, auxiliada pela renda das famílias e por ganhos no mercado imobiliário. Se o país conseguir evitar o "abismo fiscal", a OCDE prevê que a economia norte-americana crescerá 2% no ano que vem e 2,8% em 2014. Em maio, a entidade previa crescimento maior dos EUA em 2013, de 2,6%.

A OCDE se junta ao coro de vozes internacionais que alertam os congressistas norte-americanos sobre a necessidade de lidar com o assunto fiscal para evitar repercussões de âmbito mundial. O fracasso em evitar medidas de austeridade nos EUA não teria o mesmo efeito que a deterioração da crise da zona do euro, "mas provavelmente levaria a economia norte-americana à recessão", comentou Pier Carlo Padoan, economista-chefe da OCDE.

Autoridades dos EUA têm poucas semanas para reverter a alta de impostos e cortes de gastos públicos, estimados em cerca de US$ 500 bilhões. A Casa Branca e líderes democratas e republicanos já estão negociando, embora não haja detalhes sobre o ritmo e características de uma eventual solução.

A sugestão da OCDE de que a questão fiscal dos EUA seja tratada ao longo do tempo ecoa comentários recentes do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, para quem ações muito apressadas de consolidação fiscal podem prejudicar a frágil recuperação dos EUA. As informações são da Dow Jones.

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