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EUA devem ter prejuízo diário de mais de US$ 10 bi com o Furacão Sandy

Com a bolsa de valores, bancos, escolas e comércios fechados, país deve ter prejuízo maior do que o deixado pelo Furacão Irene, de U$ 20 bilhões durante os três dias

Ligia Tuon, do Economia & Negócios,

30 Outubro 2012 | 14h46

SÃO PAULO - A Bolsa de Nova York não fechava por causa de mau tempo há 27 anos, quando o Furacão Glória avançou na costa leste dos Estados Unidos. Agora, com mais de 60 milhões de americanos propensos a sofrer os impactos do Furacão Sandy, que foi rebaixado para ciclone nesta terça-feira, 30, operar na bolsa só será possível na quarta-feira, nas expectativas mais otimistas. O impacto econômico deste furacão poderá exceder U$ 10 bilhões ao dia, de acordo com o grupo de TV americano CNBC. O Furacão Irene, que passou por diversos estados americanos em 2011, incluindo Nova York, deixou um prejuízo estimado em U$ 20 bilhões durante os três dias.

Eduardo Hasche, brasileiro que mora em Nova York e tem uma empresa que faz serviços de pintura, estima uma perda de 25% no seu faturamento mensal, por conta da paralisação dos serviços. A interrupção começou nesta segunda-feira e pode se estender até o final da semana. "Teremos uma perda de aproximadamente U$ 30 mil. É a primeira vez que vejo a cidade parando desta forma", diz Hasche. A empresa dele tem 30 funcionários e todos estão sem trabalhar.

Entre segunda-feira e terça-feira, mais de sete mil voos para a região nordeste do país já haviam sido cancelados de acordo com a FlightAware, empresa americana que monitora o setor. De metrô ou ônibus também não dá para se locomover em Nova York ou New Jersey, já que o sistema de transporte público também foi interrompido.

Centenas de escolas, escritórios, shopping centers e restaurantes fecharam as portas e até a Broadway cancelou seus shows, segundo mencionou a CNBC. O cenário se estende a quase meia dúzia de estados americanos alertados pelo Centro Nacional de Furacões.

Quase 300 mil propriedades residenciais avaliadas em quase U$ 88 bilhões estão em risco com a passagem do fenômeno climático pelos EUA, de acordo com o jornal britânico Financial Times. Nova York é o estado com o maior número de residências em risco: 81 mil.

No mercado financeiro também houve paralisação. Bilhões de dólares em novos negócios estão sendo adiados para os próximos dias e a Associação de Valores Mobiliários e Mercados Financeiros recomendou a interrupção das negociações de renda fixa. Os bancos ligados ao lançamento de novos títulos esperavam vender US$ 300 bilhões de bônus nesta semana, na medida em que as empresas buscam concluir seus negócios antes da eleição presidencial de 6 de novembro. Mas nenhum negócio deve ser precificado na segunda ou terça-feira.

Há quatro dias em casa

O brasileiro Raiam dos Santos é analista de equities no Citgroup de Nova York e está há quatro dias em casa, por conta da tormenta. O prédio no qual trabalha fica em uma das áreas em estado de atenção de Manhatan, além de não ter eletricidade e internet, assim como metade de Manhattan.

"Nós operamos no mundo inteiro, mas a bolsa de Nova York está fechada. Não tenho noção do prejuízo que isso irá causar, visto que o resto do mundo continua operando normalmente", diz Santos.

Seguros

Apenas para o setor de seguros, um dos mais prejudicados em situações como essa, a perda pode ser de até US$ 10 bilhões, segundo estimativa da empresa Eqecat. Com isso, Sandy deve ser uma das dez tempestades mais caras da história norte-americana.

O furacão Irene ocupa a décima colocação e custou à indústria de seguros US$ 4,3 bilhões. Na pior das hipóteses, o modelo da Eqecat indica que Sandy pode ficar com a quinta posição no ranking, superando o furacão Charlie, que resultou em prejuízos de US$ 8,8 bilhões em ativos segurados (dados ajustados pela inflação) em 2004.

Mesmo assim, Sandy vai custar bem menos do que o Katrina, o furacão mais dispendioso, que provocou perdas de US$ 46,6 bilhões, em dados atualizados. (Com Dow Jones)

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