Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

EUA prometem levar discussão sobre acesso de fertilizantes a Conselho de Segurança da ONU

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro fez apelo à OMC para que sanções econômicas e financeiras decorrentes da guerra da Ucrânia não recaíssem sobre o mercado de fertilizantes

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2022 | 18h45

BRASÍLIA - Diplomatas do governo dos Estados Unidos afirmaram nesta segunda-feira, dia 25, que vão levar a discussão sobre segurança alimentar e acesso fertilizantes à apreciação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro pediu que a Organização Mundial do Comércio (OMC) levasse a Washington um apelo brasileiro, a fim de garantir que sanções econômicas e financeiras decorrentes da guerra da Ucrânia não recaíssem sobre o mercado de fertilizantes.

Os países atingidos pelo bloqueio, Rússia e Belarus, são também dois dos principais fornecedores do agronegócio brasileiro, em fertilizantes como potássio. O Brasil importa cerca de 80% do que é usado no País.

“Vamos usar nossa presidência no Conselho de Segurança da ONU, em maio, para discutir ações sobre segurança alimentar, vamos considerar várias ideias, inclusive o que talvez possamos fazer com a OMC”, disse a embaixadora Victoria Nuland, subsecretária para Assuntos Políticos dos Estados Unidos, durante passagem por Brasília.

Segundo Nuland, o governo Joe Biden trabalha em parceira para “fortalecer o mercado de fertilizantes no Brasil” e assegurar acesso aos insumos para garantir a produção no campo e a exportação de alimentos ao mundo. Ela afirmou que os americanos vão enviar técnicos para conhecer o estoque brasileiro de fertilizantes.

“Estamos trabalhando com o Ministério da Agricultura brasileiro, e uma equipe de especialistas do nosso Ministério da Agricultura virá para assegurar que o estoque de fertilizantes que vocês têm seja usado ao máximo. Estamos também trabalhando em casa, tentando fornecer mais fertilizantes ao mercado”, disse a diplomata.

Ela acrescentou que a guerra provocou um bloqueio de rotas navais que poderiam ser usadas para distribuição de fertilizantes e alimentos, o que precisa ser discutido entre as grandes democracias.

Os norte-americanos sublinharam que a insegurança alimentar mundial piorou depois do que chamaram de “horrenda” invasão determinada pelo presidente Vladimir Putin à Ucrânia.

O subsecretário para Crescimento Econômico, Energia e Meio Ambiente, Jose W. Fernandez, disse que as sanções norte-americanas não atingem alimentos.

“Há muita desinformação por aí, dizendo que nossas sanções estão causando insegurança alimentar. Isso é incorreto. Nossas sanções são específicas em fazer essa exceção”, afirmou Fernandez.

O Ministério das Relações Exteriores aguarda agora qual será a abordagem dos EUA no Conselho de Segurança da ONU.  O embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, secretário das Américas no Itamaraty, afirmou que os diplomatas da missão norte-americana reconheceram o acesso a fertilizantes como uma “questão sensível” para o Brasil. Segundo ele, a missão do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) virá ao País com “disposição de ajudar” na obtenção de suprimentos. A data não foi informada. O secretário afirmou que não houve pedidos dos Estados Unidos para que o governo brasileiro aderisse às sanções à Rússia ou que reduzisse a importação de fertilizantes russos, durante as conversas nesta segunda-feira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.