EUA discutem nomes para lugar de Summers

Especula-se que Obama estaria em busca de um executivo de corporação para dissipar dúvidas da comunidade empresarial

Hans Nichols BLOOMBERG NEWS / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

Apesar das considerações negativas sobre Lawrence Summers - um economista intelectual e obstinado com o qual os críticos dizem que é difícil trabalhar -, o presidente Barack Obama tem pela frente a dura tarefa de achar um substituto à altura do diretor do Conselho Econômico Nacional, que está de saída.

Summers voltará à Universidade Harvard, da qual se tornou o mais jovem professor titular aos 28 anos e foi seu presidente, até o fim do ano, conforme anunciou a Casa Branca na terça-feira. Ele deixará a equipe econômica de Obama num momento em que o país ainda está se recuperando da pior recessão desde os anos 1930, e depois de eleições em que o partido do presidente poderá perder o controle da Câmara e, talvez, do Senado.

Obama estará procurando, em três frentes, pessoas familiarizadas com as discussões do governo. Autoridades públicas estão debatendo sobre o recrutamento de um executivo de corporação para dissipar as dúvidas da comunidade empresarial sobre as políticas do governo. Elas também estão atrás de candidatas mulheres para aumentar o equilíbrio de uma equipe econômica dominada por homens. Mas, sobretudo, a Casa Branca poderia usar outro Larry Summers.

Summers foi o "grupo consultivo para Obama", disse Catherine Mann, uma ex-economista do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) que atualmente leciona economia na Universidade Brandeis em Waltham, Massachusetts.

Entre outros cujos nomes foram cogitados está Anne Mulcahy, a ex-presidente executiva da Xerox Corp., segundo duas pessoas familiarizadas com as discussões do governo. Outros candidatos potenciais incluem David Cote, CEO da Honeywell International Inc., e Richard Parsons, presidente do Citigroup, segundo uma das fontes.

Cote é membro da comissão de Obama sobre redução do déficit federal e, junto com Parsons e Mulcahy, está entre os executivos que o presidente convocou à Casa Branca para consultas. O copresidente da comissão de déficit, ex-funcionário do governo Clinton, Erskine Bowles, também tem sido mencionado como uma possibilidade, segundo uma terceira fonte.

Martin Neil Baily, que presidiu o Conselho de Consultores Econômicos no governo Clinton, disse que Obama precisa de alguém que possa aplacar as tensões entre a Casa Branca e a comunidade de negócios. "Acho que eles estão procurando alguém com quem as empresas sintam que podem conversar, e compreenda seus interesses", disse Bailey em entrevista. "Isso não significa que Larry não fosse isso. Mas essa será uma qualificação importante para o cargo."

Douglas Holtz-Eakin, que foi o principal consultor econômico do candidato republicano John McCain na campanha presidencial de 2008, disse que a Casa Branca de Obama tem "um problema sério" nas relações com o empresariado.

Conselheiros da Casa Branca admitem em privado que será difícil, se não impossível, encontrar alguém que se equipare ao conhecimento de economia e política pública de Summers. / COLABORARAM MICHAEL DORNING, KATE ANDERSEN BROWER E NICHOLAS JOHNSTON, COM TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

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