EUA dizem que a Argentina deve encontrar soluções

Pela terceira vez em 48 horas, a Argentina recebeu duras críticas do governo dos Estados Unidos. Nesta sexta-feira foi a vez do secretário do Tesouro, Paul O?Neill, que declarou que o governo norte-americano só apoiará a Argentina nas negociações com o FMI e outros organismos financeiros internacionais ?se implementar políticas econômicas confiáveis?. Segundo O?Neill, os EUA ?não podem e não devem impor uma solução para os argentinos. Nós oferecemos assistência técnica, assessoria e conselhos?. O governo dos EUA e o Fundo observam com preocupação as brigas entre o presidente Eduardo Duhalde, o Congresso e a Corte Suprema de Justiça, que estão invabilizando qualquer política econômica.Na quinta-feira, o porta-voz do FMI, Thomas Dawson, havia declarado que existem ?claras dificuldades de fechar um acordo com a Argentina, pois o país possui graves problemas para cumprir internamente as exigências do Fundo?.Na quarta-feira, o representante do FMI em Buenos Aires, Gilbert Terrier, acrescentou novas exigências à longa lista que o Fundo pede desde o início do ano da Argentina, e que a cada mês aumenta de tamanho. Segundo Terrier, o governo Duhalde precisa implementar medidas de combate à pobreza e deixar o congelamento de preços dos serviços públicos.O anúncio de O?Neill coincidiu com a última jornada da missão argentina que esteve durante dois dias em Washington, que, além de reuniões com diversos escalões do FMI, tentou obter apoio do governo norte-americano e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para conseguir um acordo com o Fundo.O governo argentino está preocupado porque em outubro terá que pagar uma dívida de US$ 800 milhões que possui com o BID. Ao contrário do FMI, este organismo internacional não conta com um sistema de rolagem da dívida, o que obrigará a Argentina à recorrer às reservas internacionais do Banco Central, caso não consiga a ajuda financeira do Fundo.OrçamentoO governo Duhalde está se preparava para remeter ao Parlamento o projeto de Orçamento de 2003. O projeto, da autoria do ministro da Economia, Roberto Lavagna, foi criticado por ser considerado ?otimista?. No projeto, Lavagna promete uma meta de inflação de 22%, enquanto que o crescimento do PIB seria de 3%. Comparada com este ano, as previsões implicariam em uma mudança drástica nos rumos da economia, já que diversos analistas calculam que este ano a inflação ficará entre 60% e 80%, enquanto que o PIB despencaria entre 13% e 16%.A meta de superávit primário do PIB para 2003 é de 2%. As exportações aumentariam 5%. A arrecadação tributária seria de 77 bilhões de pesos, o que implicaria um aumento de 42% nominal sobre a quantia prevista para 2002. A maior parte deste aumento teria que ser atribuída às retenções sobre exportações, que subiriam de 6 milhões de pesos no ano 2002 para 12 bilhões em 2003.Além disso, Lavagna calcula que o dólar ficará tranqüilo e não superaria a faixa de 3,7 pesos. O Orçamento também prevê que o Estado argentino terá que destinar US$ 10 bilhões para o pagamento dos vencimentos das dívidas.

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