EUA: Doha depende dos emergentes

A turbulência econômica é um motivo a mais para concluir a Rodada Doha, disse ontem a negociadora principal dos Estados Unidos, Susan Schwab. "A integração de nossas economias é um fato da vida. Acredito que a atual turbulência será breve e sabemos que aumentar o comércio é o meio de superá-la". A rodada comercial , disse a representante de Comércio americana, está no topo da agenda americana e o presidente George W. Bush "está empenhado em concluí-la este ano", o último de seu mandato. Se o acordo não for fechado em 2008, afirmou, dificilmente ocorrerá depois. Há bons motivos, disse Schwab, para se acreditar em um avanço das negociações nos próximos meses, mas isso dependerá em grande parte, segundo ela, da disposição dos países emergentes de fazerem concessões. "As grandes economias em desenvolvimento precisam reconhecer que devem dar uma contribuição compatível com seu estágio econômico, particularmente em matéria de acesso a mercados para bens industriais, produtos agrícolas e serviços". Brasil e Índia têm sido os emergentes com participação mais ativa nas negociações da rodada.Amanhã, a representante americana terá nova oportunidade para transmitir esse recado ao chanceler brasileiro Celso Amorim. Eles devem ter um encontro reservado e, além disso, participarão de um almoço organizado pela conselheira comercial (ministra) do governo suíço, Doris Leuthard. Amorim também deve conversar separadamente com o comissário de Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, e com o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, que na quarta-feira já conversou com Schwab. Ponto sensívelA agricultura, disse Schwab, continua a ser o ponto mais sensível das negociações. O governo americano, segundo ela, está disposto a cortar subsídios que distorcem o comércio. Os países em desenvolvimento, acrescentou, terão de fazer concessões difíceis, mas ela reclamou também do protecionismo europeu. Os produtos agrícolas mais competitivos dos Estados Unidos, disse a embaixadora, são barrados na União Européia por obstáculos sanitários. Ela se referiu a organismos geneticamente modificados e, em particular, a carnes de boi, de frango e de porco e também a soja e milho. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.