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EUA e Brasil manterão "estreita coordenação" em Doha

Estados Unidos e Brasil concordaram nesta sexta-feira em manter uma estreita coordenação na etapa crucial das negociações da chamada Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), que se estenderá até o próximo dia 30 de julho. Confirmada na quinta-feira pelo Senado americano para ocupar o posto de Representante dos Estados Unidos para o Comércio (USTR), a embaixadora Susan Schwab acertou a aliança durante uma conversa por telefone com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na manhã desta sexta. Amorim foi a primeira autoridade estrangeira com quem Schwab entrou em contato - uma expressão da liderança do Brasil no G-20, o grupo de economias em desenvolvimento que insiste na liberalização do comércio agrícola e na eliminação de subsídios, os temas fundamentais da Rodada. Segundo a assessoria de imprensa do Itamaraty, Schwab e Amorim acertaram um encontro bilateral antes do próximo dia 29. Nessa data, a OMC reunirá os ministros de cerca de 40 países com o objetivo de fechar os acordos sobre dois dos três pilares da Rodada Doha - os capítulos agrícola e industrial. Também trataram da possibilidade de os temas pendentes nessa reunião virem a ser incluídos na agenda do encontro do G-8 (as maiores economias do mundo, inclusive a Rússia), entre os dias 15 e 17 de julho, em São Petersburgo. Brasil, China, México e África do Sul, entre outros, foram convidados para o encontro. O Itamaraty espera que, no mínimo, as pendências sejam discutidas em uma reunião à margem do G-8. Schwab não bateu o martelo sobre essa possibilidade, ao falar com Amorim. Encontro Desde novembro passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insiste na organização de um encontro de líderes dos países mais influentes na OMC, como forma extrair decisões políticas sobre os temas de impasse nas negociações técnicas, mesmo naquelas conduzidas em nível ministerial.Lula deverá conversar mais uma vez sobre essa alternativa com o presidente americano, George W. Bush, nos próximos dias. Mas já tratou desse mesmo assunto com os presidentes Jacques Chirac, da França, e José Manuel Durão Barroso, da Comissão Européia, e com os primeiros-ministros Tony Blair, da Grã-Bretanha, Angela Merkel, da Alemanha, e José Luís Rodríguez Zapatero, da Espanha.Bons olhos Schwab adiantou para Amorim que o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, que não vê com bons olhos a reunião de líderes proposta por Lula, visitará Washington na próxima semana. O chanceler brasileiro conversou sobre o assunto com Lamy nesta semana. Há expectativas no Itamaraty de demovê-lo, uma vez que é real a chance de não haver nenhum acerto substancial sobre as modalidades para agricultura, indústria e serviços até o dia 30 de julho.O chanceler brasileiro, por sua vez, assinalou a Schwab o papel de protagonismo dos Estados Unidos nessa etapa das negociações da OMC e ressaltou que deve prevalecer na Rodada Doha a fórmula segundo a qual as concessões devam ser proporcionais ao nível de desenvolvimento de cada país. Ou seja, que os benefícios sejam maiores para as economias mais pobres.A rigor, se não houver propostas substanciais dos Estados Unidos e da União Européia nos temas agrícolas até o dia 30 de julho, a Rodada Doha estaria condenada a duas alternativas - fechar neste ano com um acordo medíocre, de baixíssimo impacto no comércio internacional, ou fracassar. A hipótese de ser relançada em 2009 ou 2010 é considerada tênue. De Washington, a Rodada Doha precisa extrair uma proposta mais ambiciosa de redução dos subsídios concedidos aos agropecuaristas para ser concluída com êxito. O governo americano resiste a esse movimento se não houver, antes, um compromisso claro da União Européia de abertura de seu mercado agrícola. Sem novas posições de americanos e europeus, o G-20 não responderá às pressões de maior liberalização nos setores industrial e de serviços.

Agencia Estado,

09 de junho de 2006 | 16h40

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